Brasil continua pronto para mediar conflito na Bolívia--ministro

sexta-feira, 12 de setembro de 2008 13:06 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro não considera a mediação do Grupo de Amigos da Bolívia para o conflito no país vizinho rejeitada pelo presidente boliviano Evo Morales e continua à disposição para contribuir na solução da crise, disse um ministro nesta sexta-feira.

Em conversa por telefone com Morales, na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perguntou se o envio de uma delegação do Grupo de Amigos da Bolívia, formado por Brasil, Argentina e Colômbia, ajudaria na intermediação do conflito, e obteve resposta positiva. Mais tarde, porém, Morales declinou da oferta, apostando em solução interna.

"Evo ligou dizendo que aguardássemos e fez a mesma coisa com a Cristina Kirchner", disse o ministro, garantindo que a possibilidade do envio do grupo para mediar a crise continua.

Perguntado se Lula estava aborrecido com o recuo de Morales, o ministro disse que não, que o governo considerou normal a atitude, porque é o presidente boliviano que está conduzindo a crise.

O governo brasileiro também não cogita a possibilidade de um golpe de Estado na Bolívia, embora já tenha manifestado que não irá tolerar qualquer ameaça à ordem constitucional no país vizinho.

"Qualquer governo que não seja fruto de eleições livres jamais terá o apoio do Brasil. O tempo de golpes na América Latina já passou." (Reportagem de Natuza Nery)