Empresas comemoram política industrial como "primeiro passo"

segunda-feira, 12 de maio de 2008 20:18 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - As empresas comemoraram, mas não deixaram de salientar que a política industrial anunciada nesta segunda-feira pelo governo federal é o que elas chamam de "um primeiro passo" para que o Brasil alcance uma posição de maior competitividade global diante do avanço de concorrentes agressivos, como os asiáticos.

Além de se disporem a acompanhar, a partir de amanhã, o que virá na prática sobre os discursos desta segunda, os empresários lembraram que muita coisa ainda há para ser feita, já que o país tem uma das mais altas taxas de juros do mundo, uma carga tributária considerada elevada e problemas de infra-estrutura, como precárias condições portuárias.

"Melhor impossível". Esta foi a reação do presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços (Brasscom), Antonio Carlos Gil, já que o setor de tecnologia foi um dos grandes beneficiados pelo pacote, chamado de Política de Desenvolvimento Produtivo.

Gil disse à Reuters que, "levando-se em conta a complexidade do assunto, não poderíamos esperar melhor". As medidas incluem redução de impostos, estímulo às exportações e novas linhas de crédito ao segmento.

O empresário lembrou que "o Brasil tem 45 anos de conhecimento e competitividade na área de tecnologia da informação" (TI) e é hoje o oitavo maior mercado nesse segmento, mas ainda tem custos mais altos que concorrentes como a Índia. Para ele, as medidas anunciadas "são o primeiro passo de um caminho que pode transformar o Brasil em um dos três maiores centros de TI do mundo".

Entre as medidas que beneficiam esse setor, o governo reduziu pela metade --de 20 para 10 por cento-- a contribuição patronal para o INSS e eliminou a contribuição para o sistema S (que é de 3,5 por cento) para empresas que gerarem 50 por cento de sua receita com exportações.

A área de softwares ainda ganhou uma nova linha de crédito de 1 bilhão de reais dentro do programa Prosoft do BNDES e a possibilidade de reduzir, da base de cálculo do Imposto de Renda e CSLL, os gastos com pesquisa e desenvolvimento.

"Agora vamos acompanhar a implementação dessas medidas e cuidar de outro problema, que é a capacitação de mão-de-obra no ritmo necessário", acrescentou Gil.   Continuação...