CÂMBIO-Dólar interrompe movimento de alta e cai abaixo de R$1,80

sexta-feira, 12 de setembro de 2008 11:32 BRT
 

SÃO PAULO, 12 de setembro (Reuters) - O dólar recuava mais de 1 por cento frente ao real nesta sexta-feira, acomodando-se após a forte valorização já acumulada no mês, enquanto os investidores monitoram o mercado internacional.

Às 11h30, a divisa norte-americana BRBY era cotada a 1,791 real, em baixa de 1,38 por cento.

Após o fechamento do mercado de câmbio na quinta-feira, notícias sobre um possível acordo para salvar o banco de investimento Lehman Brothers LEH.N deram otimismo às bolsas de valores internacionais. O Lehman procura um comprador após as fortes perdas sofridas com a crise global de crédito.

"À medida que o mercado (em geral) começou a se fortalecer, o investidor volta para buscar rentabilidade e não só porto seguro e garantia. Aos poucos, volta para ativos de risco", disse Paulo Fujisaki, analista de mercado da corretora Socopa.

Como o mercado amanheceu sem nenhum anúncio concreto sobre o Lehman, prevalecia nesta sexta-feira a cautela no cenário global. O Financial Times publicou que um acordo do banco poderia ser fechado com o Bank of America, o JC Flowers e o fundo soberano chinês, mas uma fonte disse à Reuters que não haverá dinheiro do governo envolvido.

Segundo Fujisaki, a especulação pesou bastante no avanço do dólar nos últimos dias. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros aproveitaram o ambiente de incerteza para ampliar em quase 4 bilhões de dólares as posições compradas em derivativos cambiais nos últimos dois dias --uma aposta na alta do dólar ante o real.

Nesta manhã, a queda da divisa norte-americana ante as principais moedas no exterior e a valorização das commodities contribuíam para a acomodação do dólar frente ao real.

Em relação a uma cesta com as principais moedas .DXY, a divisa norte-americana tinha queda de 0,74 por cento. O índice Reuters-Jefferies de commodities .CRB subia 1,4 por cento.

Em meio à volatilidade dos mercados, o Banco Central optou por não realizar leilão de compra de dólares na última sessão.

(Por Jenifer Corrêa e Silvio Cascione; Edição de Daniela Machado)