ANÁLISE-Inflação atinge duramente a América Latina em maio

quinta-feira, 12 de junho de 2008 14:34 BRT
 

Por Guido Nejamkis

BUENOS AIRES, 12 de junho (Reuters) - O "monstro" da inflação, um dos carrascos da América Latina na "década perdida" de 1980, golpeou novamente a região em maio e ameaça seguir atropelando no resto do ano, se tornando um freio para o crescimento econômico.

Do México a Argenton, sem perdoar nenhum país da região, o mal solto pelos preços recordes do petróleo e as altas do alimentos mantém os governos preocupados, que discutem as doses de um amargo remédio para controlar os preços: o apertamento monetário e a redução dos gastos públicos.

No Brasil, o referencial Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou seu maior nível desde 1996 para os meses de maio, subindo 0,79 por cento pressionado por alimentos, e o Banco Central advertiu que seguirá subindo as taxas de juros durante o tempo que for necessário.

"Há uma clara deterioração da inflação, superando as previsões do mercado... A inflação pode desacelerar a partir de junho, mas seguirá com taxas bem próximas às de maio", disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

"Só que (a desaceleração) vai ser mais gradual do que a gente pensava antes", acrescentou o economista.

No México, os preços para o consumidor baixaram 0,11 por cento em maio, mas ficaram acima do esperado, e a inflação do últimos 12 meses subiu para 4,95 por cento, seu maior nível desde dezembro de 2004, acima da meta do banco central de 3,0 por cento com tolerância de um ponto percentual.

Na segunda economia latino-americana, a inflação anual foi alimentada em maio, em grande parte, pelo índice subjacente, considerado melhor parâmetro para medir a evolução dos preços pois elimina a volatilidade, e que subiu 0,50 por cento pela alta nos preços dos alimentos.

Alguns analistas acreditam que a economia mexicana começou a mostrar sinais de contágio pela alta global nos preços dos alimentos, o que eleva a expectativa do banco central aumente em 20 de junho as taxas de juros para conter as pressões.   Continuação...