12 de Setembro de 2008 / às 16:54 / 9 anos atrás

ATUALIZA-Dólar mais firme limitaria recuperação no açúcar--COSAN

(Texto atualizado com informações sobre planos da empresa no exterior e contexto sobre custos)

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 12 de setembro (Reuters) - Os custos de produção de açúcar mais elevados no maior produtor mundial, o Brasil, deverão promover uma recuperação dos preços da commodity em até 18 meses, avaliou a Cosan (CSAN3.SA), maior empresa sucroalcooleira do país.

Mas, se o dólar se valorizar ainda mais frente ao real, chegando a 2 reais, poderia limitar essa recuperação da cotação, na medida em que as usinas brasileiras teriam um ganho na exportação pelo melhor preço na moeda brasileira.

"Temos duas formas de chegar lá (de elevar os ganhos). Ou através de uma recuperação de preços ou então através do que está acontecendo, que é o fortalecimento dólar. Isso dá um impacto bastante importante do ponto de vista operacional para as empresas brasileiras...", disse nesta sexta-feira Paulo Diniz, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Cosan, em uma teleconferência com jornalistas.

Segundo ele, a empresa acredita em um preço de longo prazo acima de 14 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York.

"O que pode não levar a isso, não é nem razão fundamentalista... O que pode não levar a isso é uma forte apreciacao do dólar em relação ao real", destacou, durante conversa para comentar os resultados financeiros da empresa, divulgados no final da noite de quinta-feira.

Além de um começo de safra difícil por conta do clima, a apreciação do real no início da temporada pressionou os resultados da empresa, que registrou prejuízo [ID:nN11459131].

DIFÍCIL PREVISÃO

"Se o dólar bater 2 reais, então vamos ver o preço do açúcar cedendo, porque o ganho dos produtores viria do melhor preço em reais pela melhor conversão do dólar nas exportações."

Segundo ele, para os próximos 12 meses é difícil prever o preço do açúcar, pois ele vem tendo altas e baixas, de acordo com as movimetações do mercado financeiro.

"Mas o importante, e aí a gente fala acima de 12 meses, em 18 meses, é que realmente os custos atuais de produção do principal produtor mundial mudaram de patamar... e esses preços têm que mudar de patamar, aí a tendência de recuperação, porque não podemos pensar em um player como o Brasil ficando fora do mercado", acrescentou.

Os custos ficaram mais pesados para o setor pelo impacto do menor teor de sacarose na cana no início desta safra. A apreciação do real e também os gastos maiores com mão-de-obra sobrecarregaram as despesas no período, afirmou Diniz.

A menor oferta de açúcar no mercado, com a Índia produzindo menos do que na safra passada e o Brasil dedicando cada vez mais cana para produção de etanol, também é outro fator altista para a commodity.

INVESTIMENTO NOS EUA

O diretor da Cosan afirmou que a empresa segue com seu plano de expandir operações para o exterior visando ampliar vendas de etanol para o principal mercado de combustíveis do mundo, mas ressaltou que apenas haverá uma definição desses investimentos após a eleição presidencial norte-americana.

"Achamos prudente termos uma idéia melhor sobre como vai ser a política norte-ameriana com o novo presidente em relação a biocombustíveis, não só para os EUA mas com relação à importação", destacou.

Segundo ele, se a empresa optasse, por exemplo, em ter uma base no Caribe, correria o risco de os EUA, em algum momento, concederem cotas de importação a países como Brasil.

"Isso inviabilizaria totalmente o investimento, então para nós é necessário um pouco mais de clareza."

Edição de Marcelo Teixeira

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