CÂMBIO-Dólar exibe 7o dia de alta mas mantém atenção no exterior

terça-feira, 12 de agosto de 2008 11:27 BRT
 

SÃO PAULO, 12 de agosto (Reuters) - O dólar operava em alta nesta terça-feira, registrando o sétimo dia seguido de valorização enquanto monitora o comportamento dos investidores estrangeiros e do cenário internacional.

Às 11h26, o dólar BRBY era cotado a 1,622 real, em alta de 0,37 por cento. No mês, a moeda norte-americana acumula alta de mais de 3,5 por cento.

A alta dos últimos dias tem sido sustentada pela mudança de comportamento de investidores estrangeiros, que inverteram a aposta no mercado futuro sobre a tendência de curto prazo do dólar diante do real.

"O dólar está em linha com o movimento externo", disse o gerente de câmbio de um banco estrangeiro, que preferiu não ser identificado.

No final de segunda-feira, os estrangeiros exibiam 3,3 bilhões de dólares em posições compradas em derivativos cambiais --dólar futuro e cupom cambial--, contra 7,6 bilhões de dólares em posições vendidas no final de julho.

A posição comprada em dólares equivale a uma aposta na valorização da moeda norte-americana.

Segundo analistas, a virada foi patrocinada pela mudança de humor no exterior. O dólar se fortaleceu nos últimos dias ante o euro e outras moedas, e os preços das commodities, que vinham batendo recordes no começo do ano, começaram a cair.

"Estamos vendo uma mudança no dólar. Contra outras moedas importantes, o real está relativamente estável", disseram analistas do banco BNP Paribas em nota.

Nesta sessão, o mercado internacional se acomodava com ligeira baixa do dólar e alta dos preços das matérias-primas. O índice Reuters-Jefferies de commodities .CRB subia 0,35 por cento, e o dólar caía 0,03 por cento ante uma cesta com outras moedas .DXY, como o euro. As bolsas, porém, exibiam baixa.

Apesar da sequência positiva, o gerente de câmbio não aposta em uma tendência de valorização no longo prazo do dólar no Brasil. "Ele sobe, mas o exportador entra no mercado. Tenho notado lotes grandes de exportações", disse.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Renato Andrade)