12 de Agosto de 2008 / às 21:18 / 9 anos atrás

Lei eleitoral impede Serra de declarar voto em Kassab na TV

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - Dividido entre duas candidaturas na capital paulista, o governador José Serra (PSDB) terá dificuldade para declarar seu apoio ao prefeito-candidato Gilberto Kassab (DEM) no horário eleitoral gratuito de rádio e TV, que começa na próxima terça-feira.

Se cumprir à risca a regra eleitoral, Serra estará impedido de pedir voto a Kassab, terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto. Mesmo imagens de arquivo de cerimônias ou eventos oficiais com a presença dos dois que venham a ser utilizadas correm o risco de sofrer questionamento na Justiça.

A regra, que consta da resolução 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral (artigo 37), prevê que apenas políticos que façam parte da coligação de um candidato a prefeito tenham espaço nos programas gratuitos. Como o PSDB não faz parte da coligação que apóia Kassab, tucanos não podem aparecer no vídeo junto ao democrata.

Se isto traz um problema para Kassab, para o candidato tucano Geraldo Alckmin é sua salvaguarda para barrar a presença do principal líder da legenda no Estado na campanha do adversário.

“O governador Serra só declararia voto ao Geraldo”, disse à Reuters o deputado federal Edson Aparecido, coordenador da campanha de Alckmin. “Mesmo o uso na TV apenas da imagem de Serra pela campanha do concorrente é polêmico.”

Para o deputado, o máximo que o adversário poderia fazer é contar como chegou à prefeitura --vice de Serra que assumiu o posto em 2006, quando o tucano disputou o governo do Estado. É esta proximidade com o prefeito que traz constrangimento ao governador nesta eleição.

AUSÊNCIA NA CAMPANHA

O coordenador admite que Serra ainda não gravou um depoimento para ser utilizado na campanha de TV de Alckmin.

O governador tampouco visitou o comitê de campanha do correligionário e nem apareceu junto a ele em cerimônias públicas desde a convenção do partido, realizada no final de junho. Mas tem procurado também evitar eventos junto a Kassab desde que a campanha oficial começou, em 6 de julho.

Sempre que questionado por jornalistas sobre sua participação na eleição municipal, o governador se recusa a responder, enquanto Alckmin, otimista, declara: “Serra virá. Todos virão”.

Há quase um mês, a direção do PSDB estadual distribuiu cartas a seus cerca de 8 mil filiados cobrando fidelidade. A punição para quem aderir a um candidato adversário pode chegar à expulsão.

“Para nossa felicidade não houve nenhum caso até agora. A carta estimulou a consciência partidária”, declarou César Gontijo, secretário-geral da legenda em São Paulo.

Segundo o dirigente, a eleição municipal em todo o país é uma etapa para o partido se posicionar na sucessão presidencial de 2010 e, como São Paulo é o “DNA” da legenda, o candidato sairá do Estado.

Para Kassab, político de 48 anos que concorre pela primeira vez a um cargo majoritário, Serra é seu padrinho político.

O prefeito frisa este relacionamento em praticamente todos os discursos públicos que realiza, seja na forma de um agradecimento, seja para dizer que Serra é sua “referência” ou para destacar a parceria prefeitura-governo do Estado.

A restrição a Kassab seria como se a candidata Marta Suplicy (PT), que divide a liderança das sondagens de intenção de voto com Alckmin, tivesse limitado o uso de sua proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Consultada, a campanha de Kassab disse que não se manifestaria sobre a questão e nem sobre os programas de TV.

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