PANORAMA2-Mercado vê aversão a risco apesar de feriado nos EUA

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 19:12 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 12 de novembro (Reuters) - O feriado nos Estados Unidos não foi suficiente para acalmar os mercados financeiros e, com o aumento da aversão a risco, o Brasil assistiu nesta segunda-feira a uma forte alta do dólar e a um tombo da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

A menor liquidez provocada pelo fechamento do mercado de bônus nos Estados Unidos, em respeito ao Dia dos Veteranos, ainda amplificou as oscilações no mercado internacional. O dólar, que subiu quase 2 por cento no Brasil, se valorizou de forma aguda ante diversas moedas em todo o mundo.

O movimento foi disparado pelo aumento da aversão a risco no exterior. A perspectiva de que o setor financeiro possa anunciar até 400 bilhões de dólares em perdas com o crédito de alto risco (subprime), nas contas de analistas, deixou os investidores ainda mais ressabiados.

"Há uma sensação meio generalizada de que crise financeira lá fora vem se agravando nas últimas semanas", disse Vladimir Caramaschi, economista-chefe da Fator Corretora. "Há sinais de contágio maior sobre outras modalidades de crédito. O clima veio se deteriorando", completou.

A inversão da trajetória do dólar, que vem caindo em todo o mundo neste ano, foi favorecida também pela baixa do petróleo para cerca de 94 dólares por barril. Ambos os movimentos, porém, devem ser temporários, disseram analistas estrangeiros, e não marcam uma reversão definitiva de tendência.

"Talvez parte da oscilação esteja exagerada pelo volume fraco dos mercados", disse Win Thin, estrategista de câmbio da Brown Brothers Harrimn.

No Brasil, o aumento da aversão a risco se traduziu em queda de mais de 4 por cento da Bovespa. A baixa, a maior desde fevereiro, foi liderada pela Petrobras (PETR4.SA: Cotações), que assistiu a uma intensa realização de lucros após divulgar lucros abaixo da estimativa do mercado.

O pregão destoou das operações em Wall Street, que passaram boa parte do dia em alta. A queda do petróleo e a procura de investidores por ações desvalorizadas pela recente turbulência sustentaram os índices durante a maior parte do dia. No final do pregão, porém, as bolsas cederam ao mau humor e recuaram.   Continuação...