Lula defende culto a "heróis" e não incriminação de "vilões"

terça-feira, 12 de agosto de 2008 17:19 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Após decretar o fim da polêmica no governo sobre a revisão da Lei de Anistia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira que a sociedade aprenda a cultuar seus "heróis" e não busque apenas incriminar os "vilões" da história.

Segundo Lula, os brasileiros têm dificuldade em valorizar os seus mortos e disse que o último herói para o povo brasileiro foi Tiradentes.

"Nós precisamos tratar um pouco melhor os nossos mortos... Toda vez que nós falamos dos estudantes que morreram, dos operários que morreram, nós falamos xingando alguém que os matou, quando na verdade esse martírio nunca vai acabar se a gente não aprender a transformar os nossos mortos em heróis e não em vítimas", disse Lula.

A declaração foi feita em discurso durante assinatura de mensagem de projeto de lei que prevê a reconstrução do prédio da União Nacional dos Estudantes, incendiada durante a ditadura militar, em 1980.

Os ministros da Justiça, Tarso Genro, e dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, defenderam recentemente que a Lei da Anistia não deveria valer para torturadores. Alegam que a tortura não é crime político, perdoado pela anistia, e sim crime hediondo. Na segunda-feira, Lula determinou que os ministros fiquem fora desse debate, que deve ser conduzido pelo Judiciário.

"Imagina se a Frente Sandinista ficasse lamentando todos que Somoza matou. Imagine se Fidel (Castro) ficasse lamentando todos que Batista matou. Não! É fazer com que essas pessoas que tombaram lutando por alguma coisa em que acreditavam se transformem em heróis, que sejam símbolos da nossa luta. Que na sede da UNE tenha a fotografia e a história dos que morerram", defendeu Lula, sob aplausos discretos dos estudantes.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)