Ocean Air se interessa por aviões da Embraer que iriam para BRA

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 17:18 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Com foco na meta de abocanhar até 15 por cento do mercado brasileiro de aviação nos próximos anos, a Ocean Air tem interesse em ficar com os 20 aviões Embraer 195 encomendados pela BRA, que interrompeu todos os seus vôos na semana passada.

O presidente da Ocean Air, German Efromovitch, disse que as aeronaves, com início das entregas prevista para o segundo semestre de 2008, seriam "um esforço adicional" além dos 90 aviões que a empresa espera comprar nos próximos anos para dividir "meio a meio" e a subsidiária colombiana Avianca.

"A Ocean Air vai ter de mudar sua frota de aeronaves de 100 assentos. A Embraer tem um bom produto e é candidata natural. Primeiro porque é bom e segundo porque é tupiniquim", disse o executivo a jornalistas nesta segunda-feira, depois de negar intenção de adquirir a BRA, cuja paralisação afeta até 70 mil passageiros, entre a semana passada e os próximos meses.

"Nós não estamos adquirindo nada da BRA. Estamos fazendo uma operação para que os prejudicados sejam atendidos", afirmou ele, para depois confirmar que está negociando para que aeronaves da BRA em condição de leasing integrem futuramente a frota da Ocean Air, em parte para ajudar a empresa a arcar com os custos gerados pelo auxílio, pedido também pelo governo.

A BRA fazia, em média, 315 vôos por mês para 26 destinos nacionais e três internacionais. Em setembro, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a BRA tinha 4,6 por cento do mercado doméstico, enquanto a Ocean Air contava com uma fatia de 2,6 por cento.

PRIORIDADE PARA PACOTES

Para acomodar os passageiros prejudicados, a Ocean Air está usando três aviões da própria empresa, outros dois que estão sendo operados pela BRA com o apoio logístico da Ocean Air e um, fabricado pela Embraer, que estava sendo adquirido pela BRA. Nesta tarde as empresas assinaram um acordo para que a Ocean Air assuma oito destinos que eram operados pela BRA: Belém, Manaus, Vilhena (RO), Palmas, Araguaína (TO), Goiânia, Alta Floresta (MT) e Natal. Os vôos para esses trechos dependem de liberação da Anac.

A Ocean Air calcula que entre os 70 mil prejudicados estão 47 mil passageiros com bilhetes avulsos e 23 mil compradores de pacotes da PNX. Estes últimos têm prioridade para embarcar, de acordo com Efromovitch, apesar de todos correrem o risco de atrasos nos vôos, que estão sendo reorganizados.

"Os viajantes de pacotes serão acomodados em vôos fretados, mas os demais viajarão conforme a disponibilidade de horários e assentos", afirmou o executivo. Os reembolsos, disse ele, serão feitos apenas pela BRA e pelas agências de viagem que comercializaram pacotes da PNX.   Continuação...