Aécio fala com Lula e pressiona tucanos a aceitar nova proposta

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 17:09 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), defendeu na quarta-feira que a bancada do partido no Senado aceite a proposta do governo de transferir para a saúde a totalidade dos recursos da CPMF. Esta seria a contrapartida para que a legenda aprove a continuidade do imposto do cheque até 2011.

Aécio, em entrevista dada em Porto Alegre (RS), disse que recebeu um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira à noite confirmando a proposta do Palácio do Planalto aos tucanos.

"A partir dessa confirmação do presidente da República, eu conversei durante toda a manhã com os nossos líderes no Senado e o presidente do partido. É claro que a decisão final é do Senado, mas eu não vejo porque não aprovarmos essa proposta", disse Aécio, que afirmou expressar a opinião de outros governadores da legenda.

Hoje a arrecadação da CPMF é destinada à saúde, a programas sociais e à aposentadoria rural.

"Garantido esse compromisso dos recursos irem para a saúde, nós devemos atuar para que a bancada vote, a decisão será dela, mas que vote na direção da aprovação", reiterou Aécio.

Os votos do PSDB são decisivos para o governo conseguir as 49 adesões necessárias à aprovação da CPMF, que rende 40 bilhões de reais por ano.

O governador mineiro adiantou ainda que também está em negociação entre o governo e partido a prorrogação da CPMF por um período menor do que quatro anos para que o Planalto prepare e envie ao Congresso uma proposta de reforma tributária que possa ser votada no ano que vem.

Trata-se da primeira confirmação vinda de um cacique tucano sobre a oferta de uma proposta em torno da CPMF, acompanhada de sua defesa mais contundente.

"Ela é importante para o país, não é para um partido. Nós temos algumas regiões do Brasil vivendo uma crise na saúde sem precedente. Virarmos as costas para essa proposta apenas para ficarmos contra o governo, criarmos mais dificuldade para o governo, não é a postura do PSDB", completou o governador mineiro, utilizando-se do principal argumento que vem sendo usado pelo presidente Lula --o de que a oposição não deve votar contra o governo e o país.   Continuação...