ESTRÉIA-"Santos e Demônios" retrata conflitos juvenis em NY

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007 13:22 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Vencedor de dois prêmios no Festival de Sundance 2006, um deles o de melhor direção, o drama "Santos e Demônios" revelou a força de um cineasta estreante, Dito Montiel, que escreveu também o roteiro desta história autobiográfica. O filme entra em cartaz nesta sexta-feira no Rio de Janeiro e no próximo dia 21, em São Paulo.

A história começa quando o escritor Dito Montiel (interpretado na idade adulta por Robert Downey Jr.) retorna ao Queens, Nova York, 15 anos depois de ter abandonado a casa paterna, os amigos, a namorada e todas as referências que tinham feito parte de sua vida até ali.

Ele volta para rever o pai doente, Monty (Chazz Palminteri), a mãe Flori (Dianne Wiest) e um passado que não parou de se agitar dentro dele, ainda que tenha lhe fornecido o material para escrever livros de relativo sucesso, em Los Angeles.

Voltando-se ao passado, vê-se Dito adolescente (vivido por Shia LaBeouf, o novo Indiana Jones). Naquele momento, ele não largava de amigos de infância como Antonio (Channing Tatum), garoto forte que vivia sendo espancado pelo pai, e o pacato Nerf (Peter Anthony Tambakis).

Passando o dia nas ruas, os três não têm muito o que fazer, a não ser mexer com as meninas e, eventualmente, arrumar uma briga com valentões que moram em ruas próximas e são de outras origens étnicas, como os porto-riquenhos ou os negros.

Dito não é de briga, o que frustra um pouco seu próprio pai, Monty, um ex-boxeador aposentado e epiléptico, que teria talvez uma expectativa de que o filho único o redimisse. Sua relação com o pai é bastante tensa. Aparentemente suave, o pai é também opressivo. Não quer nem ouvir falar dos sonhos do filho de sair dali, nem quando isto se torna uma necessidade, porque virou alvo de uma gangue de adolescentes violentos.

Laurie (Melonie Diaz) é a outra razão que prende Dito naquele lugar. E ela também não quer saber de sair dali. O filme conta o processo pelo qual o rapaz criou coragem para largar tudo e criar uma outra identidade, deixando para trás amigos que, adultos, oscilam entre a marginalidade e mesmo a cadeia.

Superando sérios problemas com drogas, que o levaram até à prisão, no final dos anos 90, o ator Robert Downey Jr. usa seu próprio passado problemático em proveito de seu personagem, a quem confere uma legitimidade extraordinária.

Downey e todo o elenco foram os responsáveis, aliás, pelo Grande Prêmio do Júri concedido em Sundance.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)