Mercados têm reação inicial contida à perda da CPMF

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007 13:11 BRST
 

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - A reação inicial do mercado financeiro à derrota do governo na batalha pela CPMF foi contida, diante da esperança de prudência na área fiscal mesmo com a perda de quase 40 bilhões de reais ao ano em receitas.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo recuava 2,42 por cento, aos 63.177 pontos, acompanhando o movimento de queda observado no exterior. O dólar iniciou os negócios em alta mas passou a cair diante do fluxo de recursos, com desvalorização de 0,17 por cento, cotado a 1,771 reais para venda. O risco-país exibia baixa de 5 pontos-básicos, a 209 pontos.

Para economistas, embora a perda da CPMF seja uma notícia ruim, pesa mais para a performance do mercado brasileiro o cenário externo, onde a crise de crédito iniciada por problemas no setor imobiliário dos Estados Unidos ainda perturba investidores.

"A CPMF pesa, mas lá fora creio que pesa mais. Mesmo que não houvesse a notícia da CPMF, ainda estaríamos caindo pelas repercussões de fora", afirmou o diretor da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira.

As bolsas de valores de Nova York caíam nesta quinta-feira, após a divulgação de que a inflação no atacado dos Estados Unidos subiu bem mais que o esperado.

IMPACTO FISCAL

Analistas fazem as contas e, por enquanto, não prevêem "estripulias" na área fiscal do Brasil. Mesmo que o governo opte por uma redução do superávit primário --a economia feita pelo setor público para pagamento de juros--, a estimativa é de que o montante seria limitado.

"O anúncio do governo sobre como vai repartir o impacto fiscal entre corte de gastos, aumento de outros impostos e redução do superávit primário será o principal motor para os ativos brasileiros agora", afirmou o estrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz.   Continuação...