ANÁLISE-Economistas torcem por "efeito disciplinador" pós-CPMF

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007 16:09 BRST
 

Por Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - O fim da CPMF pode ter um efeito pedagógico, obrigando o governo a cortar gastos e finalmente encarar um problema considerado crucial por economistas da área acadêmica.

A derrota do governo no Congresso tira do governo uma receita anual de cerca de 40 bilhões de reais, pouco menos de 10 por cento da arrecadação federal.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quinta-feira que as medidas para minimizar esse impacto só serão anunciadas na próxima semana, depois do aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas garantiu que a meta fiscal será cumprida "rigorosamente".

"Do ponto de vista da eficiência microeconômica, (o fim da CPMF) é favorável porque exerce um poder disciplinador sobre o governo", avalia Aloisio Araújo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro.

"E com o PIB maior, você já tem uma arrecadação extra de recursos."

José Scheikman, professor da Universidade de Princeton, argumenta que o nível de despesas correntes do governo é muito alto e que, portanto, há "gordura" para se queimar.

"O governo, em todos os níveis, gasta muito mais do que países ricos... Há várias alternativas à CPMF, mas o ideal seria não cortar investimentos, que ainda são muito baixos no Brasil, e nem aumentar impostos."

Os dados mais recentes do Tesouro Nacional mostram que as despesas aumentaram 13,6 por cento de janeiro a outubro frente ao mesmo período do ano passado --superando o crescimento do PIB nominal, de 9,33 por cento.   Continuação...