13 de Fevereiro de 2008 / às 12:56 / 10 anos atrás

FMI diz que Índia e China não estão imunes à crise

Por Unni Krishnan e Surojit Gupta

NOVA DÉLHI (Reuters) - A economia mundial entrou em uma fase de dificuldades à medida que a crise financeira se espalha para a economia real e países como Índia, China e outras economias emergentes sentirão os efeitos “em breve”, disse o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira.

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que os governos precisam estar prontos para soltar temporariamente pacotes de estímulos de gastos para alavancar as economias.

“Este virou um problema global que requer uma solução global”, disse ele em um discurso a um instituto econômico na Índia.

”Mercados emergentes precisam se juntar aos países industrializados nas responsabilidades macroeconômicas e de políticas regulatórias.

Uma abordagem conjunta oferece as melhores esperanças para assegurar a estabilidade econômica global, disse ele, acrescentando que apesar do rápido crescimento, países como a China e Índia não estão descoladas de economias indútriais.

Os principais bancos centrais estão fazendo a sua parte provendo liquidez e liberação monetária, mas governos dos países que estão bem financeiramente deveriam estar prontos para aumentar os gastos para impulsionar o consumo privado.

Mas qualquer aumento dos gastos deve ser temporário, já que a disciplina continua importante.

Os mercados emergentes precisam considerar quanto espaço há para benefícios monetários ou estímulos fiscais, afirmou, apesar de que nem todas as economias emergentes precisem aliviar a política fiscal.

A Índia, por exemplo, teve crescimento muito forte e um déficit público alto, com a consolidação fiscal se mantendo como prioridade, observou.

“Há também a possibilidade de que algumas economias emergentes ajudem a sustentar o crescimento global -- através de políticas para reforçar sua demanda doméstica e mecanismos de crescimento, incluindo maior flexibilidade de taxas de câmbio.”

A crise que surgiu nos problemas do mercado imobiliário norte-americano já atingiu o crescimento no país e os efeitos pode ser sentidos na Europa e outros países.

No passado, uma queda de 1 por cento no crescimento norte-americano atingiu o crescimento dos países emergentes em aproximadamente 0,5 a 1 por cento, dependendo de suas ligações com os Estados Unidos, disse Strauss-Kahn.

No mês passado, o FMI cortou sua previsão para o crescimento mundial para este ano e alertou que a atividade econômica pode desacelerar ainda mais.

O principal motivo para a revisão foi a perspectiva de crescimento nos Estados Unidos e Europa.

O fundo abaixou sua projeção para o crescimento global de 2008 para 4,1 por cento ante 4,4 por cento, abaixo dos 4,9 por cento obtidos no ano passado.

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