JURO-Mercado vislumbra alta da Selic e puxa projeções para cima

quinta-feira, 13 de março de 2008 16:36 BRT
 

SÃO PAULO, 13 de março (Reuters) - A sinalização do Banco Central para uma possível alta da taxa básica de juros promoveu um ajuste das projeções na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) nesta quinta-feira.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2009 subiu de 12,02 por cento para 12,17 por cento. O DI janeiro de 2010 avançou de 12,81 por cento para 12,98 por cento. O DI julho de 2008, o terceiro mais negociado, subiu de 11,31 por cento para 11,38 por cento.

Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC considerou elevar a taxa Selic já na semana passada para conter os riscos inflacionários provocados pelo crescimento da demanda interna.

"A ata foi bastante clara e direta, apontando para o desconforto do Copom em relação ao persistente e importante descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta", disse Elson Teles, economista-chefe da Concórdia Corretora de Valores, em relatório.

Ele aposta em alta de 2 pontos percentuais da taxa básica de juros Selic neste ano, com início na reunião de abril ou, mais provavelmente, em junho.

Na primeira metade do pregão, as taxas receberam a pressão adicional da turbulência nos mercados internacionais. A notícia de um calote de 16,6 bilhões de dólares do fundo Carlyle Capital, do grupo norte-americano Carlyle, reacendeu o temor de que a atual crise global de crédito possa se agravar.

Em meio ao ambiente conturbado, o Tesouro cancelou o leilão de títulos públicos prefixados previsto para esta quinta-feira.

Estava agendada a venda de LTN para outubro de 2008 e julho de 2010 e de NTN-F para janeiro de 2012 e janeiro de 2017. A última vez em que o Tesouro havia cancelado um leilão havia sido em 16 de agosto, em um dos momentos mais agudos da atual crise.

O mercado também repercutiu as medidas cambiais anunciadas pelo governo na noite de quarta-feira, especialmente a tributação sobre os investimentos estrangeiros em renda fixa.

No mercado aberto, o BC recolheu 5,419 bilhões de dólares dos bancos, por 1 dia, a 11,19 por cento ao ano.

(Por Silvio Cascione; Edição de Alexandre Caverni)