13 de Fevereiro de 2008 / às 11:51 / 10 anos atrás

IPCA fica abaixo do esperado, mas merece atenção--IBGE

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A alta mais contida dos custos de alimentos, sobretudo das carnes, fez com que a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficasse abaixo do esperado em janeiro.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ressaltou nesta quarta-feira, no entanto, que a desaceleração ainda não traz um ambiente de tranquilidade neste ano.

Pela primeira vez desde abril de 2006, a taxa do IPCA em 12 meses superou o centro da meta de inflação, de 4,5 por cento. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou alta de 4,56 por cento.

“Não podemos dizer que a inflação está com total tranquilidade, mas não há também uma intranquilidade. A inflação requer atenção, cuidados e análise”, disse a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

Apesar disso, analistas receberam bem o IPCA. Somado a dados da véspera, o índice acalmou o cenário para o juro.

“Está se caracterizando a visão de que tivemos altas temporárias de preços”, disse Roberto Padovani, economista-chefe do WestLB do Brasil.

Apesar de a taxa em 12 meses ter superado o centro da meta, a maior parte do mercado acredita que ela será cumprida em 2008. “Não mudamos nossa perspectiva de uma inflação de 4,5 por cento no ano”, afirmou Sergio Vale, economista da MB Associados.

O IPCA subiu 0,54 por cento em janeiro, após a variação positiva de 0,74 por cento em dezembro.

Analistas consultados pela Reuters esperavam alta de 0,60 por cento segundo a mediana das previsões, que variaram de 0,57 a 0,65 por cento.

Os preços de alimentos continuaram em alta, de 1,52 por cento, mas desaceleraram em relação ao avanço de 2,06 por cento de dezembro.

Segundo Eulina, a desaceleração foi concentrada em produtos alimentícios com grande peso no orçamento familiar como carnes e leite. A tendência de desaceleração dos alimentos não é clara, de acordo com a economista.

“Há que se ter atenção com alimentos em 2008... Nossa safra para este ano tem previsão recorde, 90 por cento dela está concentrada em três produtos: milho, soja e arroz. Além disso, a tendência dos preços da commodities é de preços crescentes.”

DESTAQUES

Ela alertou que a alta de matérias-primas agrícolas no mercado externo afetaram em janeiro os preços internos e já estão percorrendo a cadeia produtiva.

Itens como macarrão, farinhas e pães que usam como insumo comodities agrícolas tiveram forte alta em janeiro. A eliminação da alíquota de importação do trigo pode “ajudar a conter a pressão de alguns itens”, acrescentou Eulina.

Ela destacou também que a safra de feijão, item que mais pressionou o IPCA em janeiro, apresentou problemas de estiagem no pólo de Irecê, na Bahia. Apesar de ter subido fortemente em janeiro, o feijão desacelerou: os preços do produto avançaram 14,02 por cento em janeiro, ante 32 por cento no mês anterior.

Também contribuíram para a inflação menor a queda na conta de energia elétrica (-0,53 por cento) e no vestuário (-0,08 por cento).

Colaborou Vanessa Stelzer

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