Turbulência externa puxa alta do dólar após medidas

quinta-feira, 13 de março de 2008 16:56 BRT
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A volatilidade dos mercados internacionais impulsionou o dólar nesta quinta-feira, com alta de cerca de 1 por cento, mesmo com a recuperação das bolsas estrangeiras no final da sessão.

Agentes de mercado disseram que as medidas anunciadas na véspera pelo governo para conter a valorização do real tiveram contribuição muito limitada para a alta da taxa de câmbio.

A moeda norte-americana fechou a 1,692 real, com alta de 1,08 por cento.

Os investidores se assustaram em todo o mundo com o calote de 16,6 bilhões de dólares do fundo norte-americano Carlyle Capital. As bolsas despencaram, a aversão a risco aumentou, e o dólar disparou 2,33 por cento no Brasil, acima de 1,71 real.

À tarde, as bolsas norte-americanas lideraram a recuperação do mercado com base em uma avaliação otimista da crise de crédito feita pela agência de classificação de risco Standard & Poor's. O ânimo, porém, não contagiou imediatamente os mercados brasileiros --a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) só conseguiu sair do território negativo após o fechamento do mercado de câmbio.

"O mercado seguiu a melhora lá de fora, consequentemente reverteu um pouco aqui. Mas a preocupação com o mercado externo continua", disse Júlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy. "Teve algumas saídas (de dólares) do mercado sim... gente que acabou se desesperando."

As medidas do governo, como a tributação do investimento estrangeiro em renda fixa, tiveram muito pouco efeito. "Isso não deve aliviar absolutamente nada", comentou Reinaldo Bonfim, diretor da Pioneer Corretora.

Para Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora Liquidez, o único efeito mensurável não vem das medidas em si, mas sim da mudança de postura do governo, que antes não defendia uma ação para conter a alta do real.

"Isso ficou um pouco mal para o mercado. O governo pode tomar medidas de taxação do capital estrangeiro. Hoje é 1,5 (por cento), quem sabe depois", perguntou. "Na realidade o pessoal está com medo, e o medo gera essa volatilidade."

Na metade da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista. Na operação, a autoridade monetária aceitou 1 proposta, com taxa de corte a 1,6970 real.