13 de Agosto de 2008 / às 12:43 / 9 anos atrás

Geórgia acusa Rússia de incursão militar, mas russos negam

Por James Kilner

IGOETI, Geórgia (Reuters) - A Geórgia acusou a Rússia de romper na quarta-feira um cessar-fogo ao enviar seus soldados da região separatista da Ossétia do Sul para outros territórios georgianos, mas o governo russo negou ter realizado qualquer incursão.

Um correspondente da Reuters presente em uma importante via de ligação entre Tbilisi e a cidade de Gori não viu tanques russos na estrada e nem ouviu relatos de testemunhas sobre a movimentação de tanques em outros pontos.

Refugiados georgianos vindos dali falaram sobre casos de saque perpetrados por ossetianos e por milícias do norte do Cáucaso (Rússia) dentro e nas cercanias da cidade de Gori.

Testemunhas contaram que soldados russos haviam montado ao menos dois postos de controle a vários quilômetros de Gori, que fica 25 quilômetros ao sul de Tskhinvali, a principal cidade da Ossétia do Sul e que atualmente se encontra sob controle russo.

Autoridades da Rússia rebateram as acusações da Geórgia sobre seus soldados estarem em Gori. O Estado-Maior russo mais tarde negou as informações de que suas forças estariam se locomovendo rumo à capital georgiana.

"Nenhum soldado ou veículo blindado russo desloca-se rumo a Tbilisi", disse à Reuters o coronel-general Anatoly Nogovitsyn, vice-chefe do Estado-Maior da Rússia.

O presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, disse que forças russas haviam rompido o cessar-fogo anunciado na terça-feira pelo presidente russo, Dmitry Medvedev.

"Neste momento, tanques russos estão atacando Gori", afirmou Saakashvili em uma entrevista coletiva.

Previamente, a Geórgia havia acusado a Rússia de enviar dezenas de tanques e veículos blindados usados no transporte de soldados para as ruas de Gori, centro da mobilização militar georgiana quando o conflito iniciou-se na Ossétia do Sul, na semana passada.

APELO À ONU

A Geórgia disse que buscaria uma resposta de Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), aos supostos avanços das forças russas. As Forças Armadas da Rússia negaram realizar qualquer incursão.

"Nenhum membro das forças de paz e nenhum soldado da Rússia foi enviado a Gori", afirmou um porta-voz da chancelaria russa, por telefone, quando questionado sobre as informações publicadas por meios de comunicação sobre a presença de militares russos naquela cidade.

O Ministério do Interior da Geórgia negou os relatos de batalhas de tanques em Gori, afirmando que os georgianos haviam se retirado dali. Segundo um porta-voz, as forças russas desmantelavam as instalações militares da Geórgia dentro e nas redondezas da cidade.

Na quarta-feira, aprofundaram-se os temores de que a região esteja mergulhando em uma situação caótica.

Matthew Bryza, enviado dos EUA, disse haver relatos confiáveis sobre combates travados em vilarejos localizados ao norte de Gori.

"Temos relatos dignos de crédito dando conta de que vilarejos estão sendo queimados e de que assassinatos estão ocorrendo", afirmou Bryza em uma entrevista concedida em Tbilisi.

O enviado conclamou a Rússia "a garantir que suas forças não estejam contribuindo para a violência e a assegurar que estão fazendo todo o possível para conter a ação de forças irregulares, da Ossétia do Sul ou não, contra a população civil".

O governo norte-americano deu apoio declarado à Geórgia no conflito.

Na segunda-feira, as forças georgianas retiraram-se para Tbilisi depois de serem expulsas de Tskhinvali pelos soldados russos.

O grupo Human Rights Watch disse que seus pesquisadores haviam visto, na terça-feira, vilarejos georgianos incendiados por milícias da Ossétia do Sul e que tinham testemunhado saques.

Reportagem adicional de Margarita Antidze e James Kilner

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