13 de Junho de 2008 / às 16:20 / em 9 anos

Vale vê "trabalho pesado" para atingir meta em ferro até 2012

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, terá dificuldades para alcançar sua meta de produção da commodity para 2012, estimada em 450 milhões de toneladas por ano, afirmou o diretor de Finanças da empresa a analistas nesta sexta-feira.

A Vale deve produzir 330 milhões de toneladas em 2008, alta de 11,5 por cento ante 2007.

“Nossa meta é de 450 milhões em dezembro de 2012, mas tem sido um trabalho pesado”, afirmou o diretor Fábio Barbosa, explicando que há desafios em “todas as frentes”, que vão desde o licenciamento ambiental até o aumento de custos dos equipamentos, em função da elevada procura por máquinas.

Ele citou ainda alguns “atrasos” no processo visando o objetivo de longo prazo, mas disse que eles não compremetem a meta, que “desde o início é extremamente desafiadora”.

O executivo lembrou ainda que a meta está bastante ligada ao projeto de Serra Sul, no Pará, o maior da Vale atualmente, com previsão de entrar em operação em 2012.

Serra Sul, com investimentos previstos em 10 bilhões de dólares, vai produzir inicialmente de 60 a 70 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

Segundo Barbosa, além do aumento de custos dos equipamentos, em um mercado extremamente demandante por minério, os investimentos ficaram mais elevados com a queda do dólar mundialmente, especialmente com a apreciação do real frente à moeda norte-americana.

Sobre custos, ele acrescentou que “esta é uma área que não devemos esperar grandes vitórias.”

“Serra Sul, um projeto greenfield, estamos falando em um custo cinco a seis vezes maior do que era o custo de um projeto similar há cinco anos”, declarou ele.

O diretor destacou, no entanto, que a Vale está ampliando sua exposição ao ciclo de alta nos minérios por avaliar que a demanda, especialmente da China, continuará forte.

A implementação dos projetos previstos permitirá um crescimento médio anual da produção da Vale, em todos os produtos, de 10,9 por cento, entre 2008 e 2012, contra 11,6 por cento entre 2003 a 2007. “É um crescimento similar até 2012, só que sobre uma base muito maior.”

O diretor da Vale, que já negociou seus contratos de fornecimento de minério de ferro com altas de 65 a 71 por cento para 2008, observou que há uma queda nos valores no mercado “spot” (à vista) na China, em função de um grande acúmulo do produto nos portos chineses, algo que tem se refletido nos fretes mais baixos para transporte da commodity.

“No curto prazo, talvez tenhamos um mercado mais fraco. Por outro lado temos enfrentado problemas de produção... invasões diversas (como as da Via Campesina), a China continua crescendo e qualquer interrupção no transporte causa dificuldade”, disse.

NÍQUEL, COBRE

A Vale, que se diversificou em 2006 com a compra da canadense Inco, grande produtora de níquel, avalia que a queda pela metade dos preços da commodity, após recordes registrados em 2007, ocorre em função de um aumento da oferta, que respondeu às elevadas cotações.

Mas, na opinião de Barbosa, essa oferta não deve trazer os preços aos patamares mais baixos do passado.

“Acho que houve um ajuste da demanda em função da mudança de patamar de preços, os estoques estão mais elevados... é um conjunto de fatores, mas isso não invalida a tese de que houve uma mudança de patamar de preço a longo prazo.”

Da acordo com Barbosa, quando a Vale comprou a Inco o preço de longo prazo estimado pela companhia era de 8 mil dólares por tonelada, contra os atuais 24,7 mil na bolsa de Londres. O recorde, registrado em maio de 2007, foi de 51,8 mil dólares.

Os bons preços do setor, acrescentou Barbosa, também permitem que a Vale sonhe com um projeto de Salobo 2. “Mas diria que é um sonho, não temos definição formal”, disse ele ao responder pergunta de um investidor sobre o projeto de cobre.

Um eventual Salobo 3, ele disse se tratar de algo “mais difícil”.

A mina de Salobo, no Pará, começa a produzir a partir de 2010, e a previsão é de que a produção atinja 100 mil toneladas anuais.

Sobre a oferta pública primária de ações [ID:nN10342502], anunciada nesta semana, o diretor afirmou que não poderia fazer comentários adicionais, para respeitar a legislação. “Os recursos se destinarão a fins corporativos gerais, mas não posso especificar.”

Edição de Denise Luna

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