July 13, 2008 / 2:30 PM / 9 years ago

Visita americana ao Paquistão aumenta temores de ataque dos EUA

5 Min, DE LEITURA

Por Robert Birsel

ISLAMABAD (Reuters) - O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, almirante Mike Mullen, visitou o Paquistão no fim de semana, alimentando especulações de que os EUA podem estar prestes a atacar militantes no noroeste do Paquistão.

O Paquistão vem sendo aliado estreito dos EUA na campanha global contra o terrorismo, mas os EUA estão cada vez mais frustrados com o que vêem como ações insuficientes de Islamabad no combate a militantes na região de sua fronteira com o Afeganistão.

Uma porta-voz da embaixada americana confirmou que Mullen fez uma viagem de um dia ao Paquistão no sábado, mas disse que não tinha mais detalhes a informar. Não foi possível obter comentários de representantes militares ou do governo do Paquistão.

Jornais paquistaneses disseram que Mullen, em conversações com comandantes militares e os líderes do novo governo paquistanês, expressou frustração profunda com os crescentes ataques de militantes na fronteira e pediu ações decisivas para pôr fim a eles.

O cinturão semi-autônomo tribal pashtu paquistanês na fronteira afegã tornou-se refúgio de militantes do Taliban e da Al Qaeda que combatem soldados ocidentais no Afeganistão e forças de segurança do Paquistão. Quinze soldados foram mortos na região no sábado.

O Pentágono informou no mês passado que locais que abrigam insurgentes no Paquistão são a maior ameaça à segurança do Afeganistão.

Paquistão excluiu a possibilidade de autorizar a entrada de tropas estrangeiras em seu solo, mas aviões espiões não tripulados dos EUA vêm aumentando seus vôos e ataques no lado paquistanês da fronteira.

Em Washington, na sexta-feira, o chanceler paquistanês Shah Mahmood Qureshi assegurou aos EUA que seu país está fazendo tudo que pode para combater os militantes na fronteira.

"Agressivos"

A ação americana mais agressiva na fronteira vem motivando especulações sobre um possível ataque americano.

No mês passado, 11 soldados paquistaneses na fronteira morreram num ataque aéreo dos EUA contra militantes do Taliban.

No sábado, o Paquistão protestou junto aos EUA contra disparos feitos desde o Afeganistão na quinta-feira que feriram seis soldados paquistaneses. A força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão atribuiu os disparos a militantes, dizendo que estes querem "desencadear um incidente na fronteira".

Os temores são alimentados pelo fato de alguns políticos americanos, incluindo o candidato presidencial Barack Obama, terem dito que os EUA poderiam a atacar a Al Qaeda em solo paquistanês sem a aprovação do Paquistão.

Um novo governo chegou ao poder após a derrota dos aliados do presidente Pervez Musharraf nas eleições de fevereiro, prometendo negociar o fim da violência, mas comandantes dos EUA no Afeganistão dizem que esses esforços de paz levaram ao aumento dos ataques de militantes no Paquistão.

Muitos paquistaneses se opõem à campanha dos EUA contra os militantes e culpam a cooperação de Musharraf com os EUA por incitar a violência. Qualquer ação dos EUA no Paquistão, dizem, apenas exacerbaria o problema.

O jornal News publicou que o almirante Mullen foi acompanhado em sua visita por autoridades da agência de inteligência norte-americana, a CIA. "Aparentemente os americanos foram bastante agressivos em suas acusações", disse o jornal.

Comandantes da Otan no Afeganistão dizem que só podem agir até a fronteira e que suas tropas não irão além disso, mas essas declarações não diminuíram as especulações sobre um possível ataque dos EUA em solo paquistanês.

Um alto funcionário paquistanês que não se deixou identificar disse: "Os jornais não param de repetir isso, mas existe um entendimento entre o governo do Paquistão e as forças da Otan e da ONU que acho que os EUA não violarão."

Um analista, porém, considerou que é possível os EUA lançarem ataques limitados.

"Não digo que os EUA viriam com forças terrestres em grande número, porque entenderiam que isso seria um grande erro", disse o analista de segurança e general da reserva Talat Massod.

"Mas é possível que, se encontrarem um grupo de militantes, possam fazer alguns comandos desembarcarem (em solo paquistanês)."

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