13 de Outubro de 2008 / às 10:13 / 9 anos atrás

Gabeira e Paes rompem pacto de não-agressão durante debate

Por Carla Marques

RIO DE JANEIRO, 13 de outubro (Reuters) - Após uma semana marcada por polêmicas que colocam em xeque a capacidade de Fernando Gabeira (PV) de conquistar moradores da Zona Oeste --região que concentra 1 milhão de eleitores e graves problemas sociais--, o candidato e seu concorrente, Eduardo Paes (PMDB), romperam o acordo de não realizarem ataques pessoais durante o segundo turno das eleições cariocas.

Em debate realizado pela TV Bandeirantes, na noite de domingo, Paes chegou a pedir tranquilidade ao rival e criticar o clima de "agressõezinhas pessoais". Desde os primeiros momentos do encontro, Gabeira demonstrou ter sido abalado pelos rumos de sua popularidade na Zona Oeste.

Depois de afirmar que uma vereadora aliada era "analfabeta política" e tinha "visão suburbana", em conversa telefônica flagrada por jornalistas, e ter enfrentado manifestação de moradores da região --investigada pelo Tribunal Regional Eleitoral por suspeita de envolvimento do PMDB-- Gabeira classificou a campanha de segundo turno como "negativa" e de "baixo nível".

Por duas vezes, ele reclamou por ter sido chamado de "macaco Tião da classe média" em evento político de Paes. Gabeira afirmou que o adversário está atiçando a população contra ele.

A duas semanas do fim da eleição, os candidatos acirraram o nível do embate, trocando acusações sobre seus apoios partidários e sobre o perfil de político que representam.

Após Gabeira ter respondido quais projetos parlamentares de sua autoria beneficiaram a cidade --os herbários do Jardim Botânico e do Museu da Quinta da Boa Vista, a construção do Centro Cultural Tom Jobim no Jardim Botânico e a captação de recursos para programas voltados a "jovens marginais"-- o peemedebista replicou com ironia:

"Eu tenho me dedicado a essa cidade. Eu não fiquei só me preocupando com herbário do Jardim Botânico, que é até uma iniciativa importante, mas eu me preocupei com a saúde da população, com os problemas que essa cidade enfrentava".

Paes acusou Gabeira de fazer "turismo eleitoral" no Rio, de se preocupar com "problemas intergalácticos", de ser uma pessoa distante da realidade carioca e de ter "propostas pitorescas": "Às vezes acho que Gabeira está descobrindo o Rio de Janeiro".

O candidato do PV responsabilizou os marqueteiros do rival por construírem sua imagem como uma pessoa distante e elitizada.

"Eu comecei a trabalhar com 9 anos, eu vendia banana e ovo. Eu vim para o Rio de Janeiro aos 17 anos e trabalhei. Fui maquinista de metrô, porteiro de hotel, cortei grama em cemitério. Eu fiz tudo na vida. Em certos momentos, como deputado federal, eu tive que cuidar do país. Se você acha que o Rio é uma ilha, está equivocado".

GUERRA DAS ALIANÇAS

Durante a troca de acusações sobre as alianças partidárias do segundo turno, Gabeira disse que Paes ficou "desesperado" atrás de uma foto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva --acusado de corrupto pelo ex-tucano durante a CPI dos Correios.

Gabeira pediu ainda que Paes revelasse o conteúdo da carta de desculpas que enviou à primeira-dama, Dona Marisa Letícia. O peemedebista não respondeu à pergunta.

Em vários ataques, Paes explorou a aliança de Gabeira com o DEM do prefeito Cesar Maia: "O Cesar Maia está saindo por uma porta e entrando por outra apoiando a sua candidatura".

Irritado, Gabeira afirmou ter visto Cesar Maia cinco vezes na vida e acusou Paes de cinismo, lembrando que o adversário estreou na vida pública na primeira gestão do prefeito e tem o mesmo estilo de governo do ex-aliado: "Você é cria dele".

Edição de Renato Andrade

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