Após 4 altas seguidas, dólar cai com alívio no exterior

terça-feira, 13 de novembro de 2007 16:38 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A trégua nos mercados internacionais permitiu que o dólar fechasse em queda nesta terça-feira, interrompendo uma sequência de altas que já durava quatro sessões consecutivas.

A moeda norte-americana recuou 0,62 por cento, para 1,767 real. No mês, o dólar tem valorização de 1,67 por cento.

O mercado parou para respirar após vários dias de turbulência no exterior --gerada principalmente pela preocupação com os prejuízos no setor financeiro. A forte queda do petróleo e lucros de empresas como o Wal-Mart favoreceram a alta de mais de 1 por cento das bolsas em Nova York.

"Hoje, a forte alta (das bolsas) de fora está definindo o movimento de recuo do dólar", disse Rodrigo Nassar, analista da Hencorp Commcor Corretora.

Também ajudou a queda generalizada do dólar no exterior, revertendo o movimento da véspera. Na segunda-feira, a moeda norte-americana teve a maior alta no Brasil desde agosto.

Nassar apontou, porém, que a queda do dólar foi menor do que ocorreria há algumas semanas em um dia com a mesma bonança externa. "O pessoal está um pouco reticente frente ao futuro", ressalvou, lembrando que na quarta-feira o mercado recebe com expectativa o índice de preços no atacado nos Estados Unidos.

Isso, junto com os próximos feriados --Proclamação da República e Consciência Negra-- e com a recente volatilidade externa, compôs o cenário de maior cautela, disse Nassar.

Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista, viu outro motivo para limitar a queda da moeda norte-americana. "Muita gente saiu da bolsa (na véspera, quando o principal índice caiu mais de 4 por cento), mas não foi para fora com o dinheiro", disse.

Por isso, na visão do diretor, a alta de pouco mais de 1 por cento da bolsa nesta terça-feira tinha a participação de muitos estrangeiros que já tinham recursos no país. Sem uma entrada efetiva, foi menor a pressão pela queda do dólar.

O Banco Central voltou a realizar um leilão de compra de dólares pela manhã, mas a operação teve pouco efeito sobre a cotação da moeda. A autoridade monetária definiu corte a 1,7700 real e aceitou, segundo operadores, ao menos três propostas.