13 de Setembro de 2008 / às 21:04 / 9 anos atrás

Governo boliviano busca acordo para fim da violência

Por Simon Gardner e Marco Aquino

LA PAZ (Reuters) - O governo da Bolívia e o principal líder da oposição expressaram neste sábado esperanças de reconciliação, após negociações durante toda a noite para conter a onda de violência que matou ao menos 17 pessoas e levou à declaração de estado de sítio.

O presidente Evo Morales abriu as negociações para contornar as disputas de poder entre governadores que se opõem às suas reformas socialistas e querem maior fatia da arrecadação do setor de energia.

O governo do país sul-americano declarou estado de sítio no fim da sexta-feira em Pando, uma região remota da Amazônia, que foi o cenário dos piores incidentes de violência. Morales disse neste sábado não haver motivo para ampliar o estado de sítio para outras regiões.

Um marinheiro e um civil foram mortos nos conflitos quando o Exército tomou o controle do aeroporto da capital de Pando, Cobija, dos manifestantes, disse o ministro Ramón Quintana.

“Hoje, as Forças Armadas vão ter que usar táticas de combate urbano para remover esses grupos armados (de manifestantes)”, disse Quintana.

Mario Cossío, o governador da província de Tarija, que é rica em gás natural, participou de negociações no palácio presidencial com o vice-presidente até a madrugada.

“Nós conseguimos o objetivo de iniciar negociações e vamos esperar que nas próximas horas isso se transforme em um processo de diálogo que resulte em um pacto para resolver os problemas para a reconciliação nacional”, acrescentou Cossío.

Cossío planejava discutir com três outros governadores da oposição antes de novos encontros no domingo, mas não estava claro se eles iriam participar dos esforços para a reconciliação.

“Nem o presidente nem as Forças Armadas vão conseguir o que eles querem... Nós vamos dar a nossa vida lutando”, disse o governador de Pando, Leopoldo Fernández.

Autoridades disseram que ao menos 15 pessoas --a maioria camponeses pró-governo-- foram mortas nos conflitos na quinta-feira contra os militantes do governo regional de oposição.

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