Renúncia fiscal da política industrial preocupa S&P

terça-feira, 13 de maio de 2008 19:12 BRT
 

Por Walter Brandimarte

NOVA YORK, 13 de maio (Reuters) - A nova política industrial brasileira foi vista com um pé atrás pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, que enfatizou a renúncia fiscal do governo.

A renúncia será de 21,4 bilhões de reais até 2011, segundo informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na segunda-feira, ao anunciar a política que incentivará os investimentos e as exportações, aliviando setores prejudicados pela queda do dólar.

Para a S&P --que elevou o Brasil a grau de investimento recentemente--, "escolher vencedores e perdedores" pode não ser a melhor política.

"Outra opção seria melhorar o clima para investimentos, reduzir impostos e reduzir o custo de se fazer negócios no país", disse nesta terça-feira Lisa Schineller, analista da agência, em uma conferência realizada pela Câmara Brasileira-Americana de Comércio em Nova York.

Lisa acrescentou que iniciativas de governos para promover determinados setores funcionaram em muitos países da Ásia, mas ressaltou que existe sempre um risco de que o governo esteja "tentando tornar competitivo um setor não vai ser competitivo".

O Brasil tem "algum espaço" para acomodar o crescente estímulo fiscal, disse ela, acrescentanto, no entanto, que a S&P preferiria ver políticas de redução da relação dívida/Produto Interno Bruto (PIB) em ritmo mais forte.

Lisa disse que ainda que a volta dos déficits em conta corrente no país e uma desaceleração do crescimento econômico podem contribuir para conter a alta do real.

"Eu vejo (o dólar) se movendo para perto de 1,80 real até o final deste ano. É com esse cenário que trabalho", afirmou.

O dólar fechou cotado a 1,657 real no mercado cambial brasileiro nesta terça-feira.