RPT-PERFIL-Defensora da Amazônia, Marina blindou pressão mundial

quarta-feira, 14 de maio de 2008 08:20 BRT
 

(Repete matéria veiculada na noite de terça-feira)

RIO DE JANEIRO, 14 de maio (Reuters) - A indicação de Marina Silva para o Ministério do Meio Ambiente no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, passou a mensagem de que a questão ambiental estaria na ordem do dia do governo e a "defensora da floresta" prometeu lutar com todas as forças para isso.

Ela ajudou a aliviar a pressão internacional e dentro do país pela preservação da Amazônia, mas uma vez à frente do cargo, Marina Silva protagonizou diversos episódios desgastantes envolvendo colegas de governo.

Polemizou com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rouseff, por causa de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como as usinas do rio Madeira. E foi alvo de críticas pelo rigor na concessão de licenças ambientais pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para essas e outras obras.

A atuação do Ibama foi apontada muitas vezes como entrave ao crescimento econômico do país, e o próprio presidente Lula chegou por diversas vezes a criticar abertamente a suposta morosidade do órgão.

Marina também foi pivô de disputas com os ministros da Agricultura de Lula -- o ex-Roberto Rodrigues e o atual Reinhold Stephanes. Logo no primeiro ano de mandato, perdeu a queda-de-braço com Rodrigues e viu ser liberado o plantio de transgênicos no país.

Posteriormente, apareceu como crítica dos danos ambientais causados pelo agronegócio, como o desmatamento da Amazônia atribuído por ela ao avanço do plantio de soja sobre a floresta. Marina Silva colocava-se, mais uma vez, em posição de antagonismo ao Ministério da Agricultura.

Quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou em janeiro deste ano que o desmatamento da Amazônia voltava a subir, Marina alertou para o crescimento perigoso das áreas do agronegócio, o que irritou o presidente da República.   Continuação...