Acordo na Rodada Doha depende de sensibilidade da Índia,diz Lula

segunda-feira, 13 de outubro de 2008 09:40 BRT
 

BRASÍLIA, 13 de outubro (Reuters) - A poucos dias de realizar uma visita oficial à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na segunda-feira que um acordo para a liberalização do comércio internacional depende do governo do país asiático.

Lula afirmou que o impasse causado nas negociações da Rodada Doha pela Índia e pelos Estados Unidos foi um dos temas do telefonema que recebeu do presidente norte-americano, George W. Bush. Em julho, rodada ficou paralisada depois que EUA e Índia não chegaram a um entendimento sobre o acesso de produtos agrícolas aos mercados de países em desenvolvimento que exigem proteger seus produtores rurais.

"Está muito perto, mas muito perto. Acho que nunca tivemos tão perto de concluir o acordo. Vai depender muito agora da sensibilidade do governo da Índia", declarou Lula, em seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente".

Lula, que já acusou EUA e Índia de chegarem a um impasse nas negociações da Rodada Doha por questões políticas domésticas, participará, na quarta-feira, de reunião de cúpula entre Brasil, Índia e África do Sul, em Nova Délhi.

O presidente disse também que os outros assuntos do encontro e de suas visitas à Espanha e a Moçambique serão a crise financeira global, a produção de biocombustíveis e projetos de cooperação.

"Neste momento de crise, penso que nós dirigentes temos que dar uma boa notícia à humanidade, concluindo a Rodada de Doha", complementou.

Lula voltou a destacar que a crise financeira internacional demanda uma maior regulação do sistema financeiro e que os bancos brasileiros, por não terem concedido créditos imobiliários de alto risco, encontram-se em situação privilegiada.

O presidente frisou ainda que o governo agirá pontualmente cada vez que surgir no Brasil um problema decorrente da crise, mas sem "pânico".

"Nenhuma obra de infra-estrutura que o governo assumiu o compromisso de fazer vai parar", disse Lula. "Tudo vai continuar acontecendo nesse país."

(Por Fernando Exman; Edição de Alberto Alerigi Jr.)