13 de Março de 2008 / às 12:18 / 10 anos atrás

BC destaca prudência e se diz pronto para elevar juro

Por Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central destacou nesta quinta-feira que a prudência passa a ter papel “ainda mais importante” na condução da política monetária e, diante dos riscos inflacionários, está pronto para elevar o juro básico.

Na ata da última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) também relatou já ter discutido um “ajuste” da Selic.

“Entretanto, prevaleceu o entendimento de que, neste momento, o balanço dos riscos para a trajetória prospectiva central da inflação justificaria a manutenção da taxa básica”, acrescentou.

Na semana passada, Selic foi mantida em 11,25 por cento ao ano pela quarta vez, em decisão unânime.

O Copom avaliou que, apesar dos investimentos, a força da economia doméstica coloca em risco a dinâmica inflacionária.

“O ritmo de expansão da demanda continua bastante robusto, podendo mesmo ter se acelerado desde o início do ano, e responde, ao menos parcialmente, pelas pressões inflacionárias que têm sido observadas no curto prazo”, indicou a ata.

Assim, o Copom “reitera que está pronto para adotar uma postura de política monetária diferente, caso venha a se consolidar um cenário de divergência entre a inflação projetada e a trajetória das metas.”

Pelo cenário de referência, que considera o juro no atual patamar e dólar a 1,70 real, a projeção para o IPCA deste ano diminuiu frente ao estimado na reunião de janeiro. Mas, frisou o Copom, ainda se encontra perto da meta de 4,5 por cento.

Pelo cenário de mercado, a previsão de inflação também recuou mas continua acima do centro da meta.

REPASSES

Na avaliação de Mauricio Oreng, economista da Itaú Corretora, a ata foi mais conservadora que a anterior, mas daí a dizer que o BC vai aumentar o juro em abril “é uma distância grande”.

“O que eles estão fazendo é um discurso conservador que está refletindo o cenário de curto prazo. Nossa visão é que a demanda cresce forte, mas os investimentos e a oferta estão fortes também”, disse. “Com esses juros sendo os maiores do mundo, já parece ser conservador o suficiente.”

Mas, para o BC, o aquecimento da demanda pode provocar um aumento no repasse de pressões dos preços no atacado para os preços ao consumidor.

Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC e economista do ABN Amro, acredita que a decisão de abril dependerá mais de dados sobre o balanço entre oferta e demanda do que da inflação de curto prazo.

“Nesse contexto, dados de produção industrial devem perder importância relativa e dados sobre a demanda doméstica e de utilização da capacidade devem ganhar relevância”, afirmou em relatório.

“A principal razão para essa mudança de foco diz respeito essencialmente à visão exposta pelo comitê de que os números de produção devem ser refreados pela utilização da capacidade instalada e, com isso, uma eventual desaceleração poderá não estar refletindo um desaquecimento da demanda.”

O tom da ata e a tensão no mercado internacional pela crise global de crédito provocavam um salto nos juros futuros. O Depósito Interfinanceiro (DI) mais negociado --que embute as projeções para a virada de 2009-- superou 13,0 por cento.

Com reportagem adicional de Elzio Barreto

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