ANÁLISE-Bancos já se movem,mas economia real espera efeito do BC

terça-feira, 14 de outubro de 2008 18:49 BRT
 

Por Isabel Versiani e Alberto Alerigi Jr.

BRASÍLIA, 14 de outubro (Reuters) - A liberação de recolhimentos bancários compulsórios promovida pelo Banco Central a partir de setembro foi bem recebida por agentes econômicos, mas pode ser ainda insuficiente para garantir a normalização dos empréstimos na economia brasileira.

Se, de um lado, as medidas do BC já causaram alguma movimentação entre os bancos, de outro, setores produtivos ainda esperam sinais mais claros de que o crédito não será um problema.

Para Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC, o ideal seria que a autoridade monetária afrouxasse os recolhimentos compulsórios que não são remunerados e, ao mesmo tempo, vinculasse a liberação ao direcionamento dos recursos para financiamento.

"Acho que, apesar dessas liberações todas, não necessariamente significa que os recursos vão chegar onde são necessários", afirmou.

Ele disse que, diante do cenário de aversão a risco, o mais provável é que as instituições utilizem os recursos liberados para a compra de títulos públicos ao invés de aumentarem os empréstimos concedidos a bancos pequenos e médios que têm enfrentado problemas de liquidez.

As mudanças nas regras dos compulsórios feitas pelo BC poderão potencialmente injetar até 160 bilhões de reais na economia. A autoridade monetária afirmou que "as liberações serão efetuadas de acordo com as necessidades de liquidez nos mercados".

Do total de compulsório liberado, ou em liberação, cerca de 30 bilhões de reais são condicionados ao direcionamento dos reucursos, pelos bancos, para a compra de carteiras de crédito de outras instituições ou para papéis como direitos creditórios oriundos de operações de leasing.

Ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Roberto Luis Troster afirma que o "erro" do BC foi vincular a liberalização dos compulsórios às necessidades do mercado.   Continuação...