ANÁLISE-Inflação pelo câmbio e impacto da crise confrontam Copom

segunda-feira, 13 de outubro de 2008 15:30 BRT
 

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO, 13 de outubro (Reuters) - De um lado, o dólar acima de 2 reais e um aumento nas previsões de inflação do ano. De outro, o impacto ainda incerto da crise global sobre a atividade econômica. No meio, o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne no final do mês para uma das decisões mais difíceis dos últimos tempos.

Se o dólar se acomodar em um nível mais baixo, analistas podem apostar na manutenção da Selic. Mas, por enquanto, o mercado está dividido em três: os que ainda prevêem alta de 0,50 ponto percentual, a 14,25 por cento ao ano, os que já revisaram a previsão para estabilidade em 13,75 por cento e os que estão com os prognósticos em aberto.

"A situação do BC não é das melhores. Se o dólar continuar caindo, aumenta a possibilidade de manter o juro, mas por enquanto continuamos prevendo alta de 0,50 ponto em outubro", afirmou Flávio Serrano, economista sênior do Bes Investimento.

"A atividade vai arrefecer, mas ainda está muito forte. No ambiente de demanda aquecida, há mais riscos de que o choque de câmbio se transfira para preços além dos comercializáveis."

O dólar está acima de 2 reais desde 2 de outubro. Mesmo com a queda de quase 7 por cento nesta segunda-feira, a moeda norte-americana ainda acumula alta de 13,7 por cento no mês, mas até agora o impacto na inflação não foi significativo.

Luciano Costa, economista do Unibanco Asset Management, calcula que o dólar precisa ficar em uma média consistente mais alta por um período de 20 dias úteis para afetar os IGPs e de 40 dias úteis para influenciar o IPCA. Além disso, a queda das commodities ajuda a contrabalançar parte de um eventual impacto.

Mas o mercado já começa a ajustar ligeiramente para cima seus prognósticos. Segundo o relatório Focus, a projeção para a alta do IGP-M em 2008 passou de 10,10 por cento na semana passada para 10,37 por cento, enquando a do IGP-DI aumentou de 9,77 para 10,07 por cento. Para o IPCA, a estimativa foi de 6,14 para 6,20 por cento.

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