14 de Outubro de 2008 / às 19:14 / 9 anos atrás

ESPECIAL-Mesmo na base, PV faz oposição em cidades estratégicas

Por Fernando Exman

BRASíLIA, 14 de outubro (Reuters) - O Partido Verde (PV), que integra a base aliada ao Palácio do Planalto, ajuda a oposição nas duas principais cidades do país -- São Paulo e Rio de Janeiro -- e ainda se aliou a adversários históricos do governo para derrotar o PT em Natal.

Os líderes governistas no Congresso tentam evitar que as divergências entre o PV e as demais legendas que apóiam o Executivo enfraqueçam a bancada no Legislativo.

Com 14 deputados, o PV, no entanto, faz questão de ressaltar que se unirá nas cidades a quem lhe der a oportunidade de implantar seu programa partidário. E que, mesmo no âmbito nacional, fará oposição aos projetos do governo que se chocarem com seus ideais.

"A gente tem a nossa agenda. Se não tiver uma aliança que seja pertinente ao nosso querer, a gente faz sozinho", declarou à Reuters o presidente do PV, José Luiz de França Penna, que se elegeu vereador em São Paulo no último dia 5.

Segundo Penna, quando o partido perde interlocução com o governo federal, segue trilhando o "próprio caminho" de forma independente. O presidente do PV ponderou, porém, que as coligações nas eleições municipais foram feitas de acordo com critérios locais.

Representado na Esplanada dos Ministérios por Juca Ferreira, ministro da Cultura, Penna reclama da exclusão do partido das decisões da pasta.

"O Ministério da Cultura é um sinal para o partido continuar se relacionando (com o governo). Às vezes, esse sinal fica com ruídos, às vezes ele fica mais nítido", disse o presidente do PV, antes de prosseguir com um lamento. "Neste momento, o ministério passa por uma série de ruídos. Mas, continua um sinal da nossa presença na aliança."

O PV também se queixa da política energética do governo. Para Penna, é um "absurdo" e uma "ameaça" a idéia do governo de construir mais usinas nucleares e de aumentar a participação de termelétricas na matriz energética nacional.

"É um escândalo a gente não enfrentar o desafio da energia solar", disparou.

O presidente do PV também cobrou maior eficácia no combate ao desmatamento da Amazônia e mais garantias ambientais para a construção das duas usinas do Rio Madeira.

"Enquanto não houver segurança para a fauna e para a sobrevivência das comunidades indígenas, nós apoiamos aqueles que atrapalham o projeto", assegurou Penna.

Esse distanciamento de certas políticas do governo federal se materializou nas alianças do PV em algumas capitais nestas eleições municipais. Em São Paulo, por exemplo, o partido faz parte da coligação que sustenta a candidatura do aual prefeito Gilberto Kassab (DEM), que, apoiado pelo governador do Estado, José Serra (PSDB), lidera as pesquisas de intenção de voto contra a petista Marta Suplicy.

No Rio de Janeiro, o PSDB é um dos patrocinadores da candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV). O parlamentar disputa o segundo turno contra Eduardo Paes (PMDB), aliado do governador fluminense, Sergio Cabral, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"VELHA POLÍTICA"

Em Natal, Micarla de Sousa (PV) aliou-se ao senador José Agripino Maia (DEM), um dos principais adversários de Lula no Congresso, para derrotar a petista Fátima Bezerra.

Lula viajou à capital do Rio Grande do Norte para fazer campanha contra Micarla, mas a candidata do PV venceu no primeiro turno, com 50,84 por cento dos votos válidos.

"O tempo todo a Micarla falou que o partido era da base do governo. Quem foi lá apoiando a velha política foi o presidente da República", atacou Penna.

Para o presidente do PV, Gabeira seguirá os passos da colega de partido porque, assim como Micarla, tem o melhor programa de governo voltado aos problemas da cidade.

Em relação a São Paulo, Penna diz que a legenda apóia Kassab pela inclusão do partido na administração paulistana. O PV detém o controle da Secretaria de Meio Ambiente.

"A nossa agenda foi admitida de uma maneira espetacular. Então, não tem dúvida de que nós vamos apoiar a reeleição desse governo (Kassab)", esclareceu.

Para o vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), as disputas municipais não causarão prejuízos para a base aliada.

"O PV é um partido que tem assento no nosso conselho político e que respeitamos muito. O fato de conseguir vitórias com alianças fora da base do governo não lhe tira o protagonismo que pode ter conosco em nível federal", amenizou.

Em geral, o PV tem seguido a orientação da bancada governista. Neste ano, por exemplo, os deputados só votaram contra dois projetos de interesse do Executivo: a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) -- que tenta substituir a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) -- e um projeto que visava a aumentar a área rural da Amazônia.

Albuquerque também nega que o comportamento do partido gere riscos para o ministro da Cultura, que representa o PV no Executivo. Como as escolhas de ministros dependem do crivo do presidente, os partidos que tentarem se aproveitar dessa situação para aumentar seu espaço na máquina pública não terão sucesso, disse o vice-líedr do governo.

Edição de Mair Pena Neto

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