14 de Novembro de 2007 / às 16:58 / 10 anos atrás

FGV espera alta mais forte dos índices gerais de preços em 2007

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 14 de novembro (Reuters) - A pressão exercida pelos alimentos sobre os índices de inflação nos últimos meses fez com que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) revisasse para cima suas projeções para os índices gerais de preços de 2007.

Com base nos novos cálculos, a FGV estima que os IGPs encerrarão o ano com alta de pelo menos 6 por cento, ante 4 por cento nas estimativas anteriores.

Para Salomão Quadros, economista da FGV, as tarifas públicas e os preços administrados devem pressionar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008, o que exigirá mais cautela na condução da política de juros no país.

“Depois de dois anos de inflação baixa houve uma escorregada, mas ainda estamos abaixo da média histórica. Imagina-se que seja uma alta passageira”, afirmou o economista em entrevista à Reuters nesta quarta-feira.

Em 2004 os IGPs oscilaram na faixa de 12 por cento, mas no ano seguinte registraram a menor variação da série histórica, em torno de 1,0 por cento. No ano passado, a média foi de 3,8 por cento de alta. Ainda que os IGPs fiquem em 6 por cento em 2007, a variação será a quarta mais baixa da série.

No início da semana, pesquisa feita pelo Banco Central com economistas já indicava que o mercado espera IGPs mais salgados neste ano.

EFEITO RETARDADO

Quadros acredita que os IGPs vão gerar um efeito sobre o IPCA de 2008 e essa pressão obrigará o BC a segurar os juros até meados do ano que vem.

“Essa alta vai ter sequelas no ano que vem porque os IGPs são indexadores. Eles captam as pressões primeiro e o impacto no IPCA, normalmente, chega com uma certa defasagem”, afirmou.

O IPCA é o indicador que baliza a política de metas de inflação do governo. O índice é apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse efeito é relevante, já que itens como energia, aluguel e serviços --que compõem o IPCA-- vão expressar no próximo ano essa alta esperada para os IGPs.

Se o cenário traçado pela FGV se confirmar, Quadros acredita que o IPCA poderá até ter variação superior aos IGPs no próximo ano. Ainda assim, a inflação deve manter-se dentro da meta fixada pelo governo.

“Não há risco grande de descontrole, mas não dá para fingir que nada aconteceu. Acho que a política monetária vai hibernar um pouquinho”, disse Quadros, que acredita que os juros ficarão estacionados até meados de 2008.

Edição de Renato Andrade

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