Dólar cai para R$1,734 com entrada de recursos no país

quarta-feira, 14 de novembro de 2007 16:36 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caiu quase 2 por cento nesta quarta-feira, para o nível mais baixo em mais de sete anos e meio, por causa do maior apetite por risco no exterior e do ingresso de recursos no país.

A moeda norte-americana recuou 1,87 por cento, para 1,734 real. É o menor valor de fechamento desde 24 de março de 2000. Em novembro, a divisa registra queda de 0,23 por cento.

O mercado de câmbio intensificou o movimento da véspera, quando interrompeu uma série de quatro altas seguidas do dólar. A menor apreensão dos investidores com a crise global de crédito permitiu que o apetite por ativos arriscados aumentasse um pouco mais, dando impulso a moedas de países emergentes.

"A recuperação das moedas lá fora influencia bastante, e a recuperação de bolsa (também). O cenário externo está mais calmo hoje", disse Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento. O risco-país, medido pelo JPMorgan, caía cerca de 10 pontos durante a tarde, para 194 pontos.

O bom humor do mercado foi favorecido por dados sobre a economia norte-americana. As vendas do varejo em outubro vieram em linha com o esperado, e os preços ao produtor subiram menos que o previsto --aumentando a chance de um corte adicional do juro pelo Federal Reserve em dezembro.

"Com o mercado externo mais calmo, diminuem internamente os movimentos operacionais defensivos", disse Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, sobre a principal causa do repique que o dólar sofreu até segunda-feira. "(E) a retomada ocorre de forma muito forte, com a Bovespa tendo o retorno dos recursos externos saídos momentaneamente", acrescentou.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo chegou a subir mais de 3 por cento. Segundo Nobrega, o mercado de ações vai ajudar a engrossar o fluxo cambial na segunda metade de novembro, reforçando a pressão de queda do dólar.

A principal operação que vai atrair dólares para o país é a abertura de capital da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). A operação, pode movimentar cerca de 5 bilhões de reais.

Perto do final da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista. Na operação, a autoridade monetária definiu taxa de corte a 1,7733 real e aceitou, segundo operadores, ao menos três propostas.

(Edição de Vanessa Stelzer)