ANÁLISE-Saída de Marina encerra trégua governo-ambientalistas

quarta-feira, 14 de maio de 2008 16:35 BRT
 

Por Mair Pena Neto e Maria Pia Palermo

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A deferência que os ambientalistas tinham com o governo pela presença de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente desaparece com sua saída. A mensagem é clara: o governo abriu mão da agenda ambiental em nome do desenvolvimento a qualquer custo.

As tensões entre os defensores ambientais e o governo tendem a recrudescer, agravadas ainda pela entrega da gestão do Plano Amazônia Sustentável (PAS) ao ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger.

"O governo vai ficar mais exposto, pois poucos brasileiros tem o carisma da Marina. O governo já teria sido muito mais criticado se não fosse pelo patrimônio de credibilidade que a Marina tem", afirma o secretário-geral do Fundo Brasileiro para Biodiversidade (Funbio), Pedro Leitão.

Por seu histórico na questão ambiental e sua penetração no movimento social, Marina levava ambientalistas de diferentes matizes a serem menos hostis ao governo, comportamento que tende a se desfazer com a sua renúncia.

Mais importante, para os ambientalistas, Marina era o ponto de equilíbrio entre uma visão de desenvolvimento sustentável e uma de desenvolvimento puramente econômico, cuja disputa se inclinaria agora favoravelmente à segunda posição.

Segundo Leitão, os ambientalistas não necessariamente estavam de acordo com a agenda de Marina Silva e com a fidelidade dela ao governo Lula.

"Muita gente boa achava que ela já deveria ter saído há muito tempo. Pessoalmente, acho que ela foi correta em tentar levar até o fim uma bandeira de acomodação entre essas agendas (ambientalista e desenvolvimentista)", disse.

Mario Monzoni, coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV) comenta que não é de hoje que se percebe o caráter "desenvolvimentista a qualquer preço" do governo.   Continuação...