Relator da ONU condena expansão dos biocombustíveis

segunda-feira, 14 de abril de 2008 19:52 BRT
 

WASHINGTON (Reuters) - Autoridades financeiras e de bancos de desenvolvimento de todo o mundo pediram uma ação urgente para interromper a alta dos preços dos alimentos, enquanto o relator especial da ONU pelo direito à alimentação condenou a expansão dos biocombustíveis, que têm usado uma fatia crescente de terras aráveis.

"Quando alguém inicia, nos Estados Unidos, graças a uma política de seis bilhões de subsídios, uma política de biocombustíveis que drena 138 milhões de toneladas de milho do mercado de alimentos, estão estabelecidas as bases de um crime contra a humanidade pela sede de combustíveis", acusou o sociólogo suíço Jean Ziegler, da Organização das Nações Unidas, em entrevista ao jornal Libération.

Já representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial alertaram, em encontro no domingo, para um crescimento dos distúrbios sociais caso o custo dos insumos básicos não seja contido.

A França, segundo país europeu produtor de biocombustíveis, atrás da Alemanha, está preocupada, mesmo não sendo "a Europa quem desestabiliza o mercado mundial de alimentos", disse o ministro da Agricultura Michel Barnier.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de biocombustíveis, com o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.

Em Nova York, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, rejeitou a idéia de que a produção de biocombustíveis esteja impulsionando os preços de alimentos globalmente, dizendo que esse é um problema restrito aos EUA.

"(A produção de alimentos) está em perigo aqui nos Estados Unidos, mas não no Brasil, não nos países africanos, não na América Latina, que possuem terras o suficiente para produzir ambos", tanto alimentos como biocombustíveis, disse Mantega a jornalistas.

Mantega defendeu a estratégia de diversos mercados emergentes como o Brasil de estimular a produção de alimentos e biocombustíveis simultâneamente.

"Não vamos nos esquecer que uma crise de alimentos pode ser tão séria quanto uma crise de energia", disse ele durante um seminário organizado pela Câmara de Comércio Americana Brasileira.   Continuação...