14 de Janeiro de 2008 / às 14:52 / 10 anos atrás

AGENDA POLÍTICA-Lula vai a Cuba,na volta chama Lobão para equipe

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta segunda-feira da posse do novo presidente da Guatemala, Álvaro Colón, e na terça-feira visita Cuba com a expectativa de se encontrar com o líder Fidel Castro. Na volta, deve anunciar o nome do senador Edison Lobão (PMDB-MA) para o ministério.

O encontro com Fidel depende, formalmente, de aval médico, uma vez que o cubano está afastado do poder há um ano e meio, após ser submetido a uma cirurgia no intestino. Seu estado de saúde é mantido em sigilo pelas autoridades cubanas.

Está programada uma entrevista de Lula no programa Mesa Redonda, da TV estatal cubana, que vai ao ar na terça-feira em torno das 18h, como informou uma fonte do Itamaraty.

No encontro com Raúl Castro, que substitui Fidel no comando do país, Lula assinará acordos de cooperação. Um dos mais importantes envolve investimentos da Petrobras e está previsto o anúncio da construção de uma fábrica de lubrificantes no país e a exploração de petróleo no Golfo do México em conjunto entre a estatal brasileira e a cubana, a Cupet.

A validação dos diplomas cubanos de medicina pelo Brasil também fará parte dos acertos e, como na primeira viagem como presidente em 2003, Lula encontrará os estudantes brasileiros na ilha para comunicar o acordo.

Acompanham Lula na viagem a Cuba os ministros das Relações Exteriores, da Saúde, Educação e Desenvolvimento, além do presidente da Petrobras.

LOBÃO

Assim que retornar da viagem, na quarta-feira, Lula deve convidar formalmente o senador Edison Lobão (PMDB-MA), afilhado político do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), para assumir o ministério de Minas e Energia.

O nome de Lobão foi submetido pelo PMDB ao presidente e, segundo líderes do partido, Lula deu o aval para que ele se integre ao ministério.

A pasta é comandada interinamente por Nelson Hubner desde maio do ano passado, depois da saída de Silas Rondeau (PMDB) por suspeita de envolvimento na Operação Navalha, escândalo de corrupção envolvendo a construtora Gautama.

Outras nomeações de aliados, para o segundo escalão, também têm promessa de agilização nos próximos dias.

CORTES

Os cortes no orçamento deste ano são outro tema que deve continuar sob a mira das negociações entre governo e aliados. Com o término da CPMF, além de aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), o governo necessita reduzir gastos e investimentos em um valor estimado em 20 bilhões de reais neste ano. A receita da contribuição estava prevista em 38 bilhões de reais.

Além de cortes na máquina estatal, emendas dos parlamentares ao Orçamento também entrarão nesta conta. Os partidos aliados se mostraram dispostos a aceitar uma redução de 50 por cento nos recursos para as emendas de bancadas, o que representaria um corte de cerca de 6 bilhões de reais. Emendas de comissões poderão ser cortadas em 2 bilhões de reais.

Também continua no Congresso a repercussão da possível recriação da CPMF pelos partidos aliados ao governo, com receitas voltadas exclusivamente para a saúde.

Edição de Mair Pena Beto

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