14 de Março de 2008 / às 17:53 / 9 anos atrás

Com maior poder de barganha, SLC minimiza alta no custo agrícola

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 14 de março (Reuters) - A SLC Agrícola SLCE3.SA, uma das maiores empresas produtoras de soja, milho e algodão do Brasil, deverá aumentar em cerca de 15 por cento a área plantada na próxima safra (2008/09), para quase 200 mil hectares, minimizando com seu maior poder de barganha com fornecedores a forte alta dos insumos, disse um diretor.

A empresa fundada em 1977, que abriu capital em junho de 2007, com negócios focados exclusivamente na produção das três commodities agrícolas, tem buscado recursos no mercado como forma de expandir a área plantada, num modelo de negócio que começou a atrair também fundos e bancos de investimento no exterior [ID:nN13314449].

Com a recente mudança de patamar dos preços das commodities agrícolas, em função de uma maior demanda dos setores alimentícios e de biocombustíveis, novos agentes estão em busca de terras, o que não parece intimidar os planos da SLC, que, ao contrário, quer aproveitar seu tamanho e modelo baseado em altas produtividades para melhorar suas margens num setor com custos crescentes.

"Temos escala, somos um dos maiores produtores, tentamos usar esse poder de barganha para negociar preços melhores e pagamos (fornecedores) adiantado também", disse à Reuters Laurence Gomes, diretor financeiro e de Relações com Investidores da SLC.

Esse trunfo dá à companhia, disse Gomes, capacidade de conseguir descontos sobre insumos, num momento em que os preços dos fertilizantes, por exemplo, dobraram em relação à safra passada --um diferencial importante dos grandes produtores sobre aqueles de médio e pequeno portes.

Mas Gomes destacou que, se os insumos subiram, as cotações das commodities estão em seus maiores valores históricos, o que deve, mais do que qualquer coisa, favorecer o desempenho da companhia em 2008.

A SLC, que encerrou 2007 com lucro líquido de 31,6 milhões de reais, aumento de 257 por cento ante 2006, prevê assim resultados melhores no atual exercício.

"Em 07/08, estamos plantando 168 mil hectares, o que representa 43,5 por cento a mais do que a safra 06/07. Esse aumento será refletido no balanço de 2008. Com os preços em alta, apesar de os custos não serem os mesmos, vamos ter um bom ano novamente", declarou Gomes.

Em 2007/08, a companhia plantou em oito fazendas em cinco Estados brasileiros, com a área dividida em 50 por cento para a soja, 30 por cento para algodão e o restante para milho. "Mas a soja responde por 33 por cento do faturamento; o algodão é ao contrário... responde por 50 por cento do faturamento."

A alta de custos, que deverá reduzir a área plantada de algodão no Brasil em 08/09, segundo produtores, não afetará os planos da SLC, que pretende manter os mesmos percentuais, dentro de sua estratégida de rotação de cultura.

EMPRÉSTIMO JUNTO AO BIRD

Dentro de seus planos de expansão de área, que prevê plantio de 193 mil hectares em 07/08 e 223 mil hectares em 09/10, a empresa está negociando um empréstimo de 40 milhões de dólares para esse setor, junto ao IFC, do Banco Mundial.

"Com certeza, ainda temos muitos negócios para serem feitos... Estima-se que há mais de 100 milhões de hectares que podem ser usados na agricultura no Brasil, e a SLC se especializou em procurar terra em novas fronteiras...", disse.

Ele comentou que, apesar do apetite por aquisições, a companhia segue as atuais exigências do mercado de sustentabilidade contra o desmatamento visando a agricultura. "Um dos requisitos para tomar esses recursos (do IFC) é o de ter boas práticas ambientais."

Gomes admitiu ainda que a SLC não descarta vender alguns de seus ativos no futuro, "já que os preços da terra estão se apreciando (18 por cento em média no Brasil em 2007, segundo a FNP). "Mas sempre pensando em adquirir mais terras... achamos que é hora de comprar terras e não vender."

Edição de Marcelo Teixeira

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