14 de Março de 2008 / às 19:53 / 10 anos atrás

Siderúrgicas investem para se expandir e exportar minério

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A alta do preço do aço está fazendo siderúrgicas brasileiras tirarem da gaveta planos de expansão após anos de estagnação, ao mesmo tempo em que a alta dos insumos vem mudando o perfil das empresas, agora focadas também na exploração do minério de ferro para consumo próprio e exportação.

Presentes no 14o Congresso Mundial de Aço, no Rio de Janeiro, representantes da Usiminas, ArcelorMittal Tubarão e Companhia Siderúrgica Nacional anunciaram disposição para acompanhar o crescimento do mercado e reduzir a dependência das mineradoras.

Segundo o presidente do Grupo Usiminas, Rinaldo Soares, a expansão da produção do grupo de 9 para 15 milhões de toneladas de aço a partir de 2013 está garantida e, na próxima segunda-feira, a empresa assina com a Mitsubishi a compra de um laminador de tiras a quente no valor de 1 bilhão de dólares para a Cosipa, uma das usina do grupo.

O equipamento terá capacidade para laminar 2,3 milhões de toneladas numa fase inicial, dentro de 32 meses, e que irá subir para 4 milhões de toneladas numa segunda fase, ainda não definida. A compra faz parte de uma série de incrementos que Usiminas e Cosipa terão ao longo dos próximos anos.

“Estamos mostrando ao mercado que nosso plano de crescimento está sendo feito”, disse Soares a jornalistas após palestra no Congresso.

Com a compra da mineradora J.Mendes no mês passado, a Usiminas entrou também no mercado de minério de ferro e pretende se tornar exportadora este ano, atingindo até 2 milhões de toneladas de minério exportadas em 2009. A partir de 2013, o volume deve crescer para até 7 milhões de toneladas.

“Nossa planta de Ipatinga sempre será atendida pela Vale, que está bem do lado, por isso vai sobrar minério para exportar”, disse o executivo.

Para fabricar uma tonelada de aço são necessárias 1,5 tonelada de minério, explicou Soares, calculando que quando o grupo atingir a produção de 15 milhões de toneladas de aço vai precisar de cerca de 21 milhões de toneladas de minério. Nessa época a mina estará produzindo 29 milhões de toneladas de minério.

Até 2012, a Vale tem contrato para compra de 2 milhões de toneladas da J.Mendes, informou, anunciando que a empresa planeja também construir uma pelotizadora, ainda sem lugar definido.

MAIS DE 100 MILHÕES

Também de olho no crescimento do mercado e nas oportunidades que se abrem na mineração, a CSN conversa com pequenos produtores para comprar minas de minério de ferro e elevar a produção da commodity para mais de 100 milhões de toneladas a partir de 2012, sendo que 70 milhões desse total serão exportados. O restante será utilizado na operação da siderúrgica, também em pleno processo de expansão.

“Este ano já poderemos exportar 25 milhões de toneladas do nosso minério pelo nosso porto e vamos expandir essa capacidade para mais de 100 milhões de toneladas, vamos trabalhar para conseguir essa capacidade adicional no porto a partir de 2012”, disse o diretor executivo da área de mineração da CSN, Juarez Saliba.

Após dar por vencida uma briga na Justiça com a Vale pelo direito de preferência do minério da mina de Casa de Pedra, a CSN deu a partida para elevar a produção da unidade dos atuais 20 milhões de toneladas para 70 milhões em quatro anos. A subsidiária Namisa terá acréscimo de 20 milhões a 26 milhões de toneladas de minério e o volume adicional virá pela compra de outras minas, para chegar aos 100 milhões de toneladas.

“Podemos ir além dos 100 milhões de toneladas muito fácil”, declarou Saliba, informando que a empresa pretende também entrar no segmento de pelotas, visando o mercado chinês.

AUMENTANDO MONLEVADE

Também animados com o mercado aquecido, o grupo ArcelorMittal está aumentando a capacidade da usina de Monlevade, em Minas Gerais, de 1,2 para 2,7 milhões de toneladas nos próximos 30 meses. Como consequência, a mina de Andrade, que abastece com minério de ferro a usina, terá a capacidade dobrada de 1 para 2 milhões de toneladas.

“Nosso foco é a siderurgia, mas se a oportunidade (em mineração) surgir, nós vamos buscá-la...as que apareceram até agora não foram interessantes, acharam que não valia a pena, ou eram muito caras ou não faziam sentido do ponto de vista de logística”, afirmou o presidente da ArcelorMittal Tubarão, José Armando Campos, empresa do grupo que concluiu no final do ano passado a expansão de 2,5 milhões de toneladas de aço.

“Esse será nosso primeiro ano cheio com a expansão de Tubarão”, lembrou o executivo.

O grupo ArcelorMittal é o maior produtor de aço no Brasil, com 13,5 milhões de toneladas anuais e pretende atingir 20 milhões de toneladas em 2012.

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