14 de Março de 2008 / às 20:49 / 10 anos atrás

Siderúrgicas apóiam compra da Xstrata por VALE e não temem preço

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Enquanto o mercado especula se a Vale vai comprar a mineradora anglo-suíça Xstrata e em que condições, os clientes da gigante brasileira descartam qualquer grande impacto nos preços se o negócio for concretizado.

Recém-saídos de uma negociação de preços que surpreendeu o setor ao elevar entre 65 e 71 por cento o valor do minério de ferro, contra uma expectativa de 35 por cento, e às vésperas de aumento para o carvão, que poderá atingir 100 por cento, siderúrgicas reunidas no 14o Congresso Mundial de Aço, no Rio de Janeiro, afirmaram na sexta-feira que a compra da Vale é positiva e não deve pesar em futuras negociações do preço da commodity.

“As negociações não podem ser mais duras do que já são hoje”, afirmou a jornalistas após palestra no seminário o membro do Conselho Executivo do ThyssenKrupp, Hans-Ulrich Lindenberg.

Primeira empresa européia a fechar com a Vale o ajuste de minério que irá vigorar este ano, a alemã Thyssen se considera em linha com a sua principal fornecedora e apóia o sistema de negociação de preços da Vale, de negociações anuais de preço em detrimento à flutuação de mercado, como defendem algumas mineradoras.

“A Vale está fazendo um excelente trabalho de negociação de preços (do minério) e tem a visão de que ninguém pode ganhar mais do que o outro”, afirmou o executivo.

Ele defendeu, assim como o diretor da Vale, José Carlos Martins fez na véspera, a continuidade do atual sistema de negociação para evitar que a entrada de especuladores no segmento de minério.

“(Se mudar) nós teríamos outros agentes no negócio, como já vimos em outras áreas...o dinheiro dos especuladores poderia deteriorar o nosso negócio, como vimos no níquel”, explicou. “Os nossos clientes nos dizem para a gente fazer o que quiser, desde que deixemos o preço estável”, complementou.

Há mais de 30 anos as negociações de preço do minério de ferro são feitas entre mineradoras e siderúrgicas e interrompidas assim que o primeiro acordo é fechado. Normalmente, as demais mineradoras seguem o primeiro acordo, o que não correu este ano após questionamento da BHP e Rio Tinto por preços maiores do que os obtidos pela Vale.

Na avaliação do presidente da Usiminas, Rinaldo Soares, apenas a demanda e a oferta comandam o preço. Uma eventual aquisição da Xstrata só tornaria a Vale mais forte, o que na visão do executivo é positivo para o Brasil.

“A Vale faz muito bem em buscar crescimento, o problema do preço do minério é a demanda, por isso as siderúrgicas estão buscando aumentar a produção de minério”, afirmou a jornalistas.

A Usiminas já elevou o preço do seus produtos este ano, de 7 a 11 por cento, e prevê mais um aumento no primeiro semestre em função do ajuste do minério de ferro e do carvão. O índice, segundo Soares, dependerá de como ficará o ajuste do carvão.

O espírito nacionalista também foi a justificativa do presidente da ArcelorMittal Tubarão, José Armando Campos, para defender a compra da Xstrata pela Vale, que segundo fontes de mercado está para ser anunciada nos próximos dias.

“Não é nenhuma surpresa a Vale conseguir comprar a Xstrata, é o fortalecimento de uma empresa brasileira e é bom para a indústria”, afirmou Campos.

Ele disse que assim como a mineração, a siderurgia também passou por uma fase de consolidação, e isso trouxe mais estabilidade para a relação oferta e demanda.

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