ANÁLISE-Governo deve elevar cautela com regras após Carioca

segunda-feira, 14 de abril de 2008 18:06 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 14 de abril (Reuters) - A possível existência de uma reserva de 33 bilhões de barris de petróleo e gás na bacia de Santos, na área conhecida como Carioca, deverá levar o governo a olhar ainda com mais cuidado a questão da alteração das regras de exploração e produção no país, disseram pessoas do setor.

"A teoria diz o seguinte: quanto menor os recursos que o país tem, maior é a quantidade de vantagens que a gente tem que dar para o investidor; quanto maior a perspectiva de recursos, menores são essas vantagens", disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

"Nitidamente o Brasil saiu de um patamar de poucos recursos para um patamar de recursos abundantes", complementou.

A informação sobre a possível mega reserva foi divulgada na manhã desta segunda-feira pelo diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, mas não foi confirmado pela Petrobras.

A empresa informou que ainda não concluiu os testes do segundo poço da área conhecida como Carioca, a oeste do campo de Tupi, até agora o maior reservatório de petróleo do país com entre 5 e 8 bilhões de barris recuperáveis de óleo equivalente (boe).

Durante palestra no seminário, o executivo afirmou que a área pré-sal colocará o Brasil "entre os grandes produtores de petróleo e gás do mundo, provavelmente à frente da Venezuela e com petróleo de melhor qualidade".

Desde a descoberta de Tupi, no ano passado, o governo anunciou que iria alterar as regras de concessão de áreas petrolíferas e de gás natural, a fim de garantir maior controle e participação do Estado.

Tolmasquim afirmou que ainda é cedo para saber quais serão as mudanças, mas que terão que ser feitas.   Continuação...