14 de Fevereiro de 2008 / às 14:10 / 10 anos atrás

Colômbia investiga presença de armas em prisão d paramilitares

BOGOTÁ (Reuters) - As autoridades colombianas investigavam na quinta-feira como uma granada, uma pistola e o equivalente a milhares de dólares em dinheiro foram levados para dentro de uma prisão de segurança máxima que abriga comandantes paramilitares desmobilizados.

Os chefes das milícias de direita, que depuseram suas armas após selarem um acordo de paz com o presidente Alvaro Uribe em troca de cumprir penas de prisão mais curtas, podem perder os benefícios do acordo e serem extraditados para os EUA se os investigadores conseguirem responsabilizá-los pelos armamentos contrabandeados para dentro da prisão.

A penitenciária de Itagui, localizada perto de Medellín, abriga alguns dos líderes paramilitares acusados de realizar massacres e traficar drogas durante a violenta guerra contra as guerrilhas marxistas, que continuam envolvidas na mais antiga insurgência rebelde da América Latina.

"Estamos esperando pelos resultados a serem apresentados pelo procurador-geral a fim de sabermos quem foram os responsáveis por essas atividades ilegais ocorridas na prisão de segurança máxima", disse o vice-ministro colombiano da Justiça, Guillermo Reyes, a uma rádio do país.

A descoberta da arma de mão, da granada de fragmentação e de quase 6.000 dólares em moeda nacional representa o mais recente golpe contra o processo por meio do qual os paramilitares aceitaram depor suas armas, confessar sua culpa em vários crimes e recompensar as vítimas, conforme prevê o acordo de paz.

Um dos benefícios que conseguiram foi a suspensão de todos os mandatos de extradição para os EUA.

O ex-comandante paramilitar Carlos "Macaco" Jimenez transformou-se, em agosto, no primeiro chefe de milícia a perder os privilégios do acordo de paz.

O fato deu-se após as autoridades colombianas terem acusado Jimenez de continuar, de dentro de sua cela, realizando atividades criminosas, incluindo o tráfico de drogas.

Formadas na década de 80 por grandes proprietários de terra para enfrentar os rebeldes marxistas, os paramilitares logo passaram a controlar grandes áreas onde a presença do Estado era tênue. Esses grupos realizaram massacres e sequestros, algumas vezes em conluio com as Forças Armadas.

Durante o governo de Uribe, mais de 30 mil combatentes paramilitares abandonaram as armas. E o presidente atribui a esse programa parte da responsabilidade pela queda nos índices de violência em meio ao conflito iniciado 40 anos atrás.

Mas grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que o governo comporta-se de forma excessivamente leniente com os paramilitares, que, segundo alegam aqueles grupos, continuam operando gangues criminosas e não cumpriram as exigências do processo de paz, entre as quais confessar seus crimes e pagar indenização para as vítimas.

Uribe, um importante aliado dos EUA na região, também enfrenta pressões devido a um escândalo no qual congressistas aliados dele são acusados de manterem ligações com esquadrões paramilitares. Dezenas de legisladores e políticos estão presos ou são investigados devido a seus laços com as milícias.

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