14 de Janeiro de 2008 / às 22:42 / 10 anos atrás

ANÁLISE-Bush e Congresso enfrentam pressão sobre economia

Por Caren Bohan

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o Congresso, controlado pelos democratas, estão cada vez mais pressionados a deixarem de lado suas diferenças sobre o Iraque e a saúde e encontrarem posições comuns para ajudar a recuperação econômica do país.

Muitos economistas temem que uma recessão esteja a caminho dos EUA, que sofrem com a crise do crédito imobiliário, a conseqüente redução do crédito geral e o preço do petróleo perto de 100 dólares por barril.

Qualquer tentativa de evitar uma recessão com medidas como isenções fiscais temporárias para famílias pode esbarrar no clima de ano eleitoral. Mas alguns analistas acham que nem os republicanos nem os democratas poderão se dar ao luxo de ignorar preocupações econômicas tão graves quanto as atuais.

“É muito comum quando se está em recessão ou perto de uma que os dois lados vejam se podem trabalhar juntos para ajudar a economia”, disse Kevin Hassett, economista do American Enterprise Institute, uma entidade conservadora.

Uma fonte parlamentar republicana disse que a Casa Branca cogita benefícios fiscais temporários, mas ainda não se decidiu. Os democratas são favoráveis a benefícios fiscais, mas os dois lados poderiam discordas se deveriam focar essas isenções em um grupo específico, como a classe média.

Alguns economistas dizem que seria preciso um estímulo de 50 a 100 bilhões de dólares na economia dos EUA para gerar um impulso significativo.

Bush tem dito que vai ouvir recomendações de assessores para um possível pacote econômico que poderia ser anunciado em seu discurso do Estado da União, no dia 28.

PRINCIPAL QUESTÃO

Enquanto isso, a economia é o principal tema na volta do recesso parlamentar.

A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, se encontrou nesta segunda-feira a portas fechadas com o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, e disse esperar um pacote fiscal para a economia que possa ser coordenado com ações do Fed para reduzir os juros.

O plano econômico deve ser “oportuno, no alvo, e temporário”, disse Pelosi.

Da mesma forma, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse que um programa de estímulo deve ser temporário e projetado para agir rapidamente. Bush tem pressionado há muito para tornar permanentes seus cortes de impostos de 2001 e 2003, ainda que Paulson tenha reconhecido que o Congresso de maioria democrata não deva fazer isso.

Entre vários republicanos, a prioridade seria reduzir as para taxas de juros para empresas. Entre os democratas, muitos defendem mais gastos públicos, em obras de infra-estrutura, por exemplo, além de benefícios fiscais para a classe média e a ampliação do seguro-desemprego.

Pelosi e o líder democrata no Senado, Harry Reid, escreveram na sexta-feira a Bush pedindo um encontro o mais rápido possível para discutir a economia.

Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca, disse que assessores do presidente já iniciaram consultas no Congresso. Bush deve encontrar líderes de ambos os partidos quando voltar de sua atual viagem ao Oriente Médio.

Fratto disse que Bush ainda não se decidiu sobre um pacote econômico. Mas ressaltou: ”Acho que haverá interesse suficiente de ambas as partes“ para aprovar algo rapidamente”, acrescentou.

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