14 de Março de 2008 / às 21:19 / 10 anos atrás

Fed organiza socorro ao Bear Stearns, ações despencam

Por Joseph Giannone e Dane Hamilton

NOVA YORK (Reuters) - O Bear Stearns disse nesta sexta-feira que uma crise repentina de liquidez o forçou a buscar recursos de emergência com o Federal Reserve e o JPMorgan Chase, intensificando o temor sobre o agravamento da crise global de crédito e enxugando praticamente metade do valor de suas ações.

Foi o primeiro socorro de um agente intermediário pelo Federal Reserve desde a Grande Depressão, e a última de uma série de ações para tentar acalmar os mercados financeiros, assustados com o contágio dos problemas provocados pelo aumento da inadimplência nas hipotecas.

A linha emergencial, de 28 dias, foi criada dois dias após o Bear, que foi duramente abalado pela exposição pesada ao mercado hipotecário dos Estados Unidos, desmentir rumores de mercado sobre uma falta de liquidez. O banco havia dito que ainda era um player saudável na rede global de operações e finanças.

Mas o tom mudou nesta sexta-feira. O presidente-executivo do Bear Stearns, Alan Schwartz, explicando porque o banco recorreu ao Fed e a um banco concorrente, disse: “Nossa posição de liquidez nas últimas 24 horas se deteriorou de forma significativa.”

“Nós tomamos esse passo importante para restaurar a confiança do mercado em nós, fortalecer nossa liquidez e permitir que possamos continuar nossas operações normais”, disse Schwartz.

Mas, dentro do banco e em Wall Street, o panorama era bastante ruim.

“O humor está sombrio”, disse um vendedor de ações do Bear Stearns que pediu para não ser identificado. Ele disse imaginar que haverá uma aquisição na segunda-feira.

Os investidores, enquanto isso, fugiam. As ações do Bear derreteram com volume recorde, em baixa de 45,9 por cento, e tosaram 3 bilhões de dólares em valor de mercado.

Ainda que o Bear fosse um dos bancos mais afetados pela crise de crédito, ele chocou os investidores ao anunciar que o Federal Reserve e o JPMorgan haviam concordado em emprestar um montante indefinido de recursos por até 28 dias.

O Fed aprovou o acordo em reunião de emergência nesta manhã.

SOB PRESSÃO

O Bear Stearns normalmente é visto como um dos bancos de investimento mais vulneráveis, por ser um dos menores entre as principais instituições de Nova York e por ter a maior exposição ao mercado hipotecário dos Estados Unidos.

A reputação do Bear como um operador esperto foi abalada no meio do ano passado com o colapso de dois hedge funds. Depois o banco sofreu com perdas nos setores de crédito e hipotecas.

A gota d’água veio nesta semana com a piora dos mercados. Schwartz divulgou que a posição de liquidez do banco “se deteriorou significativamente” na quinta-feira, após uma série de relatórios questionarem a capacidade do banco de atender negócios de longo prazo. Na quarta-feira, Schwartz havia dito que o banco tinha cerca de 17 bilhões de dólares em dinheiro.

Uma fonte com conhecimento sobre a situação disse que, sem a intervenção do Fed, o Bear não teria recursos suficientes para abrir nesta sexta-feira.

“Eu acho que essa é uma ponte para uma situação permanente”, disse Schwartz durante teleconferência com investidores. Ele disse que o instrumento de crédito é suficiente para financiar as atividades diárias e conduzir “os negócios normalmente”.

Mesmo assim, ele deixou a porta aberta para outros acordos.

“Estaremos procurando qualquer alternativa estratégica que nos permita proteger nossos consumidores, bem como maximizar o valor aos acionistas”.

Observadores do setor previram consequências duras para o banco, sugerindo que a única alternativa provavelmente seria a venda.

Reportagem adicional de Dan Wilchins, Jui Chakravorty, Jennifer Ablan

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