14 de Agosto de 2008 / às 14:27 / em 9 anos

Economia da zona do euro se retrai pela 1a vez

Por Jan Strupczewski

BRUXELAS (Reuters) - A economia da zona do euro apresentou no segundo trimestre a primeira retração já vista, deprimida pela redução da atividade em suas maiores economias. O dado, divulgado nesta quinta-feira, aumenta o risco de uma recessão técnica.

O escritório de estatísticas da União Européia estimou que a economia dos 15 países que utilizam o euro se contraiu 0,2 por cento frente ao primeiro trimestre e cresceu 1,5 por cento na comparação ano a ano. Ambos os dados estão em linha com as expectativas do mercado.

O Eurostat informou que o declínio trimestral foi o primeiro desde o início do acompanhamento dos dados da zona do euro, em 1995. O segundo pior resultado foi a estagnação vista no segundo trimestre de 2003.

A queda foi menor que a da segunda maior economia do mundo, o Japão, que encolheu 0,6 por cento entre abril e junho, mas pior que o resultado dos Estados Unidos, que cresceu 0,5 por cento.

"Há boa chance de que a economia já esteja em recessão, mas mesmo que não esteja a perspectiva continua sendo de crescimento fraco nos próximos trimestres", disse Stuart Bennett, estrategista sênior de câmbio no Calyon.

A desaceleração da atividade pelo menos ajudou a frear a inflação, segundo economistas. O Eurostat reduziu a estimativa para o avanço dos preços em julho de 4,1 para 4,0 por cento, na comparação ano a ano.

A Alemanha, maior economia da Europa, divulgou retração trimestral de 0,5 por cento no Produto Interno Bruto (PIB) entre abril e junho. O dado foi melhor que a baixa de 0,8 por cento esperada por economistas.

SURPRESA FRANCESA

O PIB da França caiu 0,3 por cento na comparação trimestre a trimestre, ao invés de crescer 0,2 por cento como esperado pelo mercado. O ministro francês da Economia, Christine Lagarde, rejeitou as conversas de uma recessão no país, mas os economistas estão menos otimistas.

A Itália, terceira maior economia da zona do euro, já anunciou uma retração trimestral maior que a esperada, de 0,3 por cento.

"Uma recessão técnica na zona do euro é possível, porque há chance de que nós também tenhamos uma leve contração no terceiro trimestre", avaliou Christoph Weil, economista do Commerzbank.

A recessão técnica é definida como dois trimestres consecutivos de retração econômica.

Economistas afirmam que o cenário de recessão na zona do euro deve impedir o Banco Central Europeu (BCE) de aumentar futuramente a taxa básica de juro, apesar de uma inflação mais de duas vezes superior à meta, que é de um patamar abaixo mas próximo de 2 por cento.

"A questão é quando eles vão cortar a taxa de juros, mas com a inflação tão alta o BCE não pode cortar nos próximos meses", acrescentou Weil.

O BCE manteve a taxa em 4,25 por cento ao ano na última decisão.

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