Annan pede atenção à Bolívia em América Latina no "rumo certo"

segunda-feira, 14 de julho de 2008 17:59 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Bolívia, em meio a uma grave crise política que divide pobres e ricos, precisa da atenção dos vizinhos latino-americanos que fizeram avanços democráticos nos últimos dez anos e trouxeram estabilidade à região, disse nesta segunda-feira o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, durante uma palestra.

"Estava um pouco preocupado com a América Latina, mas ela está tomando o rumo certo. E eu acho que as pessoas deveriam manter um olho na Bolívia", disse Annan em resposta a perguntas em congresso sobre publicidade em São Paulo.

Ao comparar a situação atual com a que enfrentou entre 1997 e 2007, período em que liderou a ONU, Annan afirmou que "no geral a região é muito mais estável e há mais cooperação", mas insistiu que "a Bolívia precisa de atenção".

O presidente boliviano, Evo Morales, enfrentará em 10 de agosto um referendo que decidirá sobre o seu mandato, em meio a uma pesada disputa com governadores de oposição por autonomia regional. Morales e a maior parte dos nove governadores do país se submeterão a uma votação que pode tirá-los dos seus cargos.

Morales propôs o referendo no ano passado, em uma aparente tentativa de enfraquecer a oposição que governa várias regiões no centro e no leste da Bolívia.

Annan disse também que ficou "feliz" ao ver os cumprimentos entre os presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e colombiano, Alvaro Uribe, após um afastamento que parecia intransponível, ampliado pelo ataque colombiano a guerrilheiros das Farc em território equatoriano.

"No meu mandato na ONU tentamos estimular Washington a conversar com Chávez. Eu pessoalmente estimulei Hugo a falar com Washington, mas isso não aconteceu... hoje parece haver mais maturidade", afirmou o diplomata, que voltou a defender a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Para ele, os integrantes atuais "refletem a situação política da 2a Guerra Mundial e não levam em conta a importância dos países emergentes", entre os quais citou Brasil, África do Sul, Índia e Indonésia.

"Essas são potências importantes que têm de ser levadas em conta para resolver as questões globais", disse o ganês de 70 anos, prêmio Nobel da Paz em 2001.

O ex-secretário-geral da ONU voltou a dizer que o Zimbábue, que reelegeu o presidente Robert Mugabe após uma votação contestada mundialmente, deveria seguir o exemplo do Quênia --país africano onde foi formado um governo de unidade nacional para superar as pesadas divisões políticas. (Reportagem de Maurício Savarese)