Com lucro 67% maior no 1o tri, BB vê competição maior

quarta-feira, 14 de maio de 2008 13:42 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - O lucro do Banco do Brasil, maior instituição financeira do país, saltou 67 por cento no primeiro trimestre sobre igual período do ano passado, impulsionado por expansão da carteira de crédito e itens extraordinários.

O resultado foi obtido em um momento de aumento da competição gerada pela união Santander/Real e pela chegada de novos concorrentes, como o mexicano Azteca, que em julho passado recebeu autorização do Banco Central para operar no país.

Esse aumento da competição contribuiu para o BB reduzir sua projeção de crescimento de receitas com tarifas de 12 para oito por cento este ano, afirmou em teleconferência o vice-presidente de finanças do banco, Aldo Luiz Mendes.

As receitas com prestação de serviços somaram 2,57 bilhões de reais no primeiro trimestre, avançando 8 por cento sobre igual período do ano passado, mas recuando 0,9 por cento sobre o quarto trimestre de 2007.

E a rivalidade acontece em um momento em que cai a diferença entre o que o banco paga para captar recursos e o que cobra dos clientes, o chamado "spread", que recuou de 8,1 por cento há um ano para 7,2 por cento no primeiro trimestre.

"A competição está aumentando consideravelmente. A redução de tarifas é muito mais um movimento de defesa", disse o executivo. "O Azteca é um potencial competidor sim. Já união do Santander com o Real é uma coisa que realmente apresenta um acréscimo na competição, ainda mais considerando a postura sempre muito agressiva do Santander desde que chegou no Brasil", afirmou Mendes.

Apesar do aumento da competição, o BB conseguiu melhorar indicadores operacionais. O retorno sobre patrimônio líquido médio anualizado (ROE, na sigla em inglês), importante índice de rentabilidade de um banco, foi de 43,5 por cento nos três primeiros meses deste ano, contra 29,4 por cento um ano antes. E o índice de eficiência operacional variou de 44,1 para 41,4 por cento (nesse caso, quanto menor, melhor).

Segundo Mendes, a instituição tem uma folga de cerca de 10 por cento entre o volume de depósitos e empréstimos, mas essa diferença tende a acabar nos próximos meses. "Continuo vendo aquecimento na demanda por crédito. Isso é bom porque mostra que o nível de negócio novos está aumentando e vamos ter que buscar novas fontes de funding mais para frente, mas não agora", afirmou o executivo.   Continuação...