14 de Maio de 2008 / às 10:52 / 9 anos atrás

Com lucro 67% maior no 1o tri, BB vê competição maior

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - O lucro do Banco do Brasil, maior instituição financeira do país, saltou 67 por cento no primeiro trimestre sobre igual período do ano passado, impulsionado por expansão da carteira de crédito e itens extraordinários.

O resultado foi obtido em um momento de aumento da competição gerada pela união Santander/Real e pela chegada de novos concorrentes, como o mexicano Azteca, que em julho passado recebeu autorização do Banco Central para operar no país.

Esse aumento da competição contribuiu para o BB reduzir sua projeção de crescimento de receitas com tarifas de 12 para oito por cento este ano, afirmou em teleconferência o vice-presidente de finanças do banco, Aldo Luiz Mendes.

As receitas com prestação de serviços somaram 2,57 bilhões de reais no primeiro trimestre, avançando 8 por cento sobre igual período do ano passado, mas recuando 0,9 por cento sobre o quarto trimestre de 2007.

E a rivalidade acontece em um momento em que cai a diferença entre o que o banco paga para captar recursos e o que cobra dos clientes, o chamado "spread", que recuou de 8,1 por cento há um ano para 7,2 por cento no primeiro trimestre.

"A competição está aumentando consideravelmente. A redução de tarifas é muito mais um movimento de defesa", disse o executivo. "O Azteca é um potencial competidor sim. Já união do Santander com o Real é uma coisa que realmente apresenta um acréscimo na competição, ainda mais considerando a postura sempre muito agressiva do Santander desde que chegou no Brasil", afirmou Mendes.

Apesar do aumento da competição, o BB conseguiu melhorar indicadores operacionais. O retorno sobre patrimônio líquido médio anualizado (ROE, na sigla em inglês), importante índice de rentabilidade de um banco, foi de 43,5 por cento nos três primeiros meses deste ano, contra 29,4 por cento um ano antes. E o índice de eficiência operacional variou de 44,1 para 41,4 por cento (nesse caso, quanto menor, melhor).

Segundo Mendes, a instituição tem uma folga de cerca de 10 por cento entre o volume de depósitos e empréstimos, mas essa diferença tende a acabar nos próximos meses. "Continuo vendo aquecimento na demanda por crédito. Isso é bom porque mostra que o nível de negócio novos está aumentando e vamos ter que buscar novas fontes de funding mais para frente, mas não agora", afirmou o executivo.

CRÉDITO EM EXPANSÃO

O lucro do BB no primeiro trimestre foi de 2,3 bilhões de reais, ante 1,4 bilhão de reais nos três primeiros meses de 2007, apoiado no aumento da carteira de crédito e impulsionado por efeito positivo extraordinário de 789 milhões de reais, gerado por venda de participação na Visa International e ganhos contábeis e tributários.

A carteira de crédito avançou 23,1 por cento no período, para 172,76 bilhões de reais, e a expectativa do banco para o ano foi mantida em crescimento de 25 por cento sobre 2007.

O crédito à pessoa física cresceu 47,5 por cento, para 38,5 bilhões de reais. O destaque ficou com a carteira de veículos, com salto de 175 por cento sobre o primeiro trimestre do ano passado. As operações com cartão de crédito também tiveram forte expansão, de 100,9 por cento.

"A expansão na carteira de veículos está dentro do esperado. Sim, é agressivo, mas temos meta de dobrar a carteira este ano", disse Mendes, acrescentando que os financiamentos para compra de automóveis devem ficar entre 6 bilhões e 7 bilhões de reais em 2008. O BB calcula que possui 4 por cento do segmento no país e quer elevar esse nível para 10 por cento até 2012.

Já o crédito para agronegócio teve alta de 20,8 por cento, para 56,52 bilhões de reais.

Enquanto isso, a provisão para crédito de liquidação duvidosa cresceu 7,2 por cento, para 1,5 bilhão de reais.

O BB encerrou março com ativos totais de 392,59 bilhões de reais, um crescimento de 22 por cento sobre março de 2007.

O balanço do Banco do Brasil encerra o ciclo de resultados dos grandes bancos do país com ações listadas na Bovespa. Antes do BB, o Bradesco divulgou lucro 23,3 por cento maior no primeiro trimestre, enquanto Itaú teve um ganho líquido 7,5 por cento maior e o Unibanco teve resultado positivo 27,5 por cento superior no período.

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