Amorim vê retrocesso em negociações para Rodada de Doha

segunda-feira, 14 de julho de 2008 20:15 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que houve retrocesso em alguns pontos das negociações prévias para a próxima rodada da Organização Mundial de Comércio, no próximo dia 21, em Genebra.

O chanceler brasileiro avaliou que um acordo global de livre comércio não será fácil porque os documentos preliminares, elaborados a partir de negociações diplomáticas, sinalizam que não houve avanços nos pontos defendidos pelos países em desenvolvimento, e em alguns aspectos ocorreu até retrocesso.

O principal ponto negativo identificado por Amorim é a possibilidade cogitada pelos países desenvolvidos de ampliar a lista de produtos sensíveis, criando novas cotas às importações dos emergentes.

"A previsão de que se possa ter novas cotas sobre produtos que até agora não eram sensíveis abre uma caixa preta que poderá trazer graves prejuízos para os nossos interesses nos mercados dos países ricos", disse Amorim em encontro de chanceleres do Mercosul, no Hotel Copacabana Palace.

"Concluímos que o que nos falta para um acordo são avanços sobre subsídios agrícolas. O texto do presidente da (comissão de) Agricultura deixa vários temas em aberto. Na parte de acesso a mercado, o texto não faz nenhum avanço", acrescentou.

Segundo Amorim, os documentos preliminares criam uma banda de 13 bilhões a 16,5 bilhões de dólares na concessão de subsídios, considerada muito ampla pelos chanceleres do Mercosul.

Ao contrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recentemente se manifestou otimista quanto a uma conclusão da Rodada de Doha de livre comércio, Amorim preferiu se manter cauteloso.

"Sou realista. Entro achando que é possível (um acordo), mas sabendo que não é fácil", afirmou.

O chanceler argentino Jorge Taiana também cobrou mais compromisso dos países ricos e disse que o documento não está claro.

"Insistimos que a possibilidade de um resultado positivo depende sobretudo de equilíbrio. Isso requer um maior esforço dos países desenvolvidos, particularmente na agricultura", destacou. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)