RPT-Garimpeiros e sem-terra interditam ferrovia no PA, diz VALE

quarta-feira, 14 de maio de 2008 08:23 BRT
 

(Repete texto publicado na noite da véspera)

SÃO PAULO, 14 de maio (Reuters) - A Estrada de Ferro Carajás, no Pará, foi invadida e interditada no início da tarde da terça-feira por garimpeiros e integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), informou a Vale (VALE5.SA: Cotações).

A ferrovia, canal para escoamento do minério de ferro de Carajás, continuava interditada no início desta noite, segundo informou por telefone a assessoria de imprensa da Vale.

"Um grupo de garimpeiros, sob a liderança do MST, invadiu, às 13h30 de hoje, 13 de maio, a Estrada de Ferro Carajás (EFC), no mesmo local da última ocupação, durante o Abril Vermelho, em Parauapebas (PA)", informou a mineradora, por meio de nota.

De acordo com a Vale, a cada dia em que a ferrovia fica paralisada a empresa deixa de transportar cerca de 300 mil toneladas de minério de ferro. "O prejuízo diário é de 22 milhões de dólares para a balança comercial brasileira", acrescentou a assessoria.

Antes de ocuparem a ferrovia, segundo a assessoria, os invasores fizeram dois trabalhadores da Vale reféns, após interceptarem um carro da empresa.

Os dois foram obrigados a deixar o veículo e levados para o acampamento montado pelo MST a cerca de 70 metros da ferrovia, em Parauapebas. Algum tempo depois, eles foram liberados e então os manifestantes decidiram invadir a linha de trem.

O comunicado da companhia afirma que essa é décima primeira invasão a uma instalação da Vale desde março do ano passado. "Os invasores alegam tratar-se de um protesto pelo fato de não ter sido dada sequência às reuniões acertadas com os governos federal e estadual para o atendimento de suas reivindicações."

"A Vale se encontra involuntariamente envolvida, há mais de um ano, numa disputa que não lhe diz respeito, leva medo a seus empregados e à população local e interfere nas suas atividades. A resolução dessa situação depende unicamente do empenho das autoridades", destacou a nota.

(Por Roberto Samora; edição de Fabio Murakawa)