14 de Agosto de 2008 / às 23:00 / 9 anos atrás

BM&F Bovespa lucra R$165,2 mi no 2o trimestre

Por Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - A BM&F Bovespa fechou o segundo trimestre de 2008 com lucro líquido de 165,2 milhões de reais, o que representa uma queda de 6,1 por cento em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

O lucro apurado no primeiro semestre foi de 329,2 milhões de reais, levando em conta itens não recorrentes como as despesas com a integração das duas bolsas --concluída em maio-- e a amortização do ágio da operação. Sem considerar esses efeitos, o lucro semestral teria sido de 476,6 milhões de reais.

A receita operacional líquida da terceira maior bolsa do mundo em valor de mercado foi de 826,9 milhões de reais de janeiro a junho, um incremento de 37,5 por cento frente a 2007. Apenas no segundo trimestre, a receita líquida foi de 434,2 milhões de reais, 10,6 por cento maior que um ano atrás.

O volume médio diário transacionado na Bolsa de Valores de São Paulo aumentou de 4,5 bilhões de reais no segundo trimestre de 2007, passado para 6,5 bilhões de reais neste ano. No caso da Bolsa de Mercadorias & Futuros, a média diária de contratos negociados caiu de 1,97 milhão para 1,77 milhão no mesmo intervalo.

“Esse recuo a gente experimentou mais no mercado de juro e é um recuo até pequeno pelo tamanho da crise externa”, comentou a jornalistas o presidente-executivo da BM&F Bovespa, Edemir Pinto.

Esta foi a primeira divulgação conjunta de resultados das duas bolsas, que lideram o mercado na América Latina. A ação da nova instituição estreará de forma unificada na Bovespa no próximo dia 20.

Nesta quinta-feira, os papéis da BM&F fecharam em alta de 0,67 por cento, a 10,47 reais e os da Bovespa subiram 0,95 por cento, para 14,94 reais. O Ibovespa avançou 1,04 por cento.

Nesses níveis, as ações da BM&F acumulam queda de 47,7 por cento desde a estréia, enquanto as da Bovespa registram baixa de 35 por cento.

O processo de sinergia com corte de pessoal estará concluído até 1o de setembro, acrescentou Edemir Pinto.

AVANÇO NA A.LATINA

Entre os projetos que a nova bolsa pretende deslanchar, está o de ajudar a aperfeiçoar os mercados de países da região, consolidando sua liderança.

“Chile, Colômbia, Peru, México e Argentina têm mercados ainda muito diferentes para serem aperfeiçoados”, citou o executivo.

“Outra iniciativa é também atrair as maiores empresas desses países a fazer uma listagem no Novo Mercado”, reiterou.

A BM&F Bovespa estuda maneiras de aprimorar esse segmento de negociação que preza boas práticas de governança corporativa e estender algumas das regras para a negociação de Brazilian Depositary Receipts (BDR).

“No caso dos BDRs, criar uma câmara de arbitragem específica é uma alternativa importante para dar segurança ao acionista”, apontou o presidente-executivo. “A gente está em fase final internamente (de discussão de regras) e vamos levar para consulta pública e conversar com os órgãos reguladores.”

Neste segundo semestre, duas iniciativas da bolsa entram em operação: o sistema que permite o acesso direto de clientes e a disponibilização na rede Globex, da CME, de todos os produtos da BM&F.

Edemir Pinto evitou projetar o volume de negócios extra que as duas medidas podem gerar, mas lembrou que hoje os produtos da BM&F estão disponíveis em 760 terminais no Brasil e passarão a ter acesso potencial a mais de 100 mil terminais em 80 países.

Reportagem adicional de Aluísio Alves

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