14 de Outubro de 2008 / às 14:52 / em 9 anos

PETROBRAS descarta recompra de ação e reavalia Plano Estratégico

RIO DE JANEIRO, 14 de outubro (Reuters) - Ainda é cedo para se falar em final da crise financeira global, na avaliação do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que mesmo assim não pretende ingressar no momento na extensa lista de empresas que estão recomprando ações no mercado para valorizar seus ativos.

Na noite de segunda-feira, a maior empresa privada brasileira, Vale (VALE5.SA), anunciou a recompra de até 5,5 por cento do seu capital em ações ordinárias e 8,5 por cento do capital de ações preferenciais.

"Nesse momento não, nós temos bons projetos", afirmou Gabrielli a jornalista depois de abrir no Rio a cerimônia do lançamento do Programa Petrobras Cultural, que vai destinar 42,3 milhões de reais a projetos do setor.

"Pode parecer que somos os violonistas do Titanic, tocando música enquanto o barco está afundando, mas a crise não pode afetar o apoio que damos à cultura", disse na abertura da festa comandada pela atriz Marieta Severo no Museu de Arte Moderna.

Ele viajou em seguida para reunião com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em Brasília.

Gabrielli admitiu que o cenário no momento é de escassez de crédito, mas que os projetos da empresa não deverão ser afetados nem mesmo com a queda do preço do petróleo para a casa dos 80 dólares o barril, depois de ter chegado ao preço recorde de 147 dólares o barril este ano.

"Quando fazemos projeções para os nossos projetos não trabalhamos com preço de mercado, nosso plano não tem nada a ver com o que está acontecendo hoje no mercado de petróleo", afirmou.

"Na sexta-feira tem reunião do conselho de administração e vamos analisar as condições dos nossos projetos", informou, sem saber se haverá necessidade de adiar a divulgação do Plano Estratégico da empresa para o período 2009-2013 com projeções para 2020. A divulgação está prevista para este mês.

No plano 2008-2012, um investimento de 112,4 bilhões de dólares, a empresa considerava o preço do barril do petróleo em 35 dólares. O novo valor que será considerado ainda não foi divulgado. De acordo com um executivo da companhia em entrevista na semana passada, os projetos do pré-sal são viáveis mesmo com o barril abaixo de 80 dólares.

Gabrielli classificou a crise financeira atual de "doença grave", mas que serviu para mostrar que as soluções de mercado não foram suficientes para estancar a falta de crédito.

"(A crise) mostrou claramente que a estabilidade que resta é a confiança no Estado, o mercado não é suficiente para resolver o problema", explicou o economista por formação e que era acadêmico antes de assumir a diretoria financeira da Petrobras, em 2003, cargo que ocupou antes da presidência.

Ele destacou entretanto que projetos atraentes, como os da empresa, que incluem exploração na cobiçada área pré-sal, terão mais facilidade para conseguir crédito.

"A ação coordenada dos bancos centrais é importante porque ela reflete uma necessidade de instrumentos novos para enfrentar problemas novos, que é a crise dos países desenvolvidos", avaliou.

Por Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira

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